Grupo Data globaliza marca, passa a Data Group e lança software de context engineering e governança de IA

A equipa de Lisboa do Data Group cresceu 35% e está a contratar engenheiros de IA. O Co-CEO fala do Data Omnis, progressão e autonomia.

O Data Omnis, primeiro produto próprio da tecnológica com equipa em Lisboa, é a camada entre utilizadores, dados corporativos e modelos de IA que dá contexto, anonimiza, audita e controla custos. Fomos perceber o que muda quando uma consultora passa a ter produto.

O Data Group é uma multinacional de soluções de TI e transformação digital com operações em Portugal, Espanha, Estados Unidos, Canadá e Brasil, onde tem a sede, em São Paulo. A actividade organiza-se em quatro verticais: Asset Management, Inteligência Artificial, Talent e Cibersegurança, que cobrem desde service desk e outsourcing até desenvolvimento de software, automação industrial e consultoria de IA. Conta com cerca de 150 clientes activos, de grandes empresas de bens de consumo, energia e indústria a tecnológicas, e mantém parcerias com a Oracle, a Microsoft, a Amazon e a Anthropic.

Em 2026, o Grupo Data passou a chamar-se Data Group. A mudança trouxe uma nova identidade visual e um domínio único (datagroup.global), mas o ponto central é outro: em vez de um grupo de empresas com nomes e marcas locais, passa a existir uma só marca, com a mesma proposta e a mesma forma de trabalhar em Lisboa, São Paulo ou nos Estados Unidos. É a etapa que fecha a passagem de grupo de empresas locais para tecnológica global.

No mesmo ano, a empresa lançou o Data Omnis, o seu primeiro produto próprio. O software funciona como camada intermédia entre utilizadores, dados corporativos e fornecedores de IA: cataloga e dá contexto aos dados da organização, anonimiza dados pessoais, regista quem acedeu a quê e recusa acções que violem regras de negócio. O objectivo é tornar a inteligência artificial empresarial útil, governável e auditável, sem prender a organização a um único modelo ou fornecedor. Para uma casa que durante anos vendeu horas e projectos, é também uma mudança de modelo de negócio.

Em Portugal, a equipa trabalha a partir do Parque das Nações, em Lisboa, e cresceu cerca de 35% nos últimos dois anos, consolidando a presença da empresa no país. Fomos falar com o Caio Pasqualucci, Co-CEO do Data Group, para perceber como funciona a operação a partir de Lisboa, o que muda quando uma consultora passa a ter produto próprio e o que o Data Group procura em quem se junta à equipa.

1. Como é que chegaste ao Data Group e quem é a equipa por trás da empresa?

Vim da engenharia, de automação industrial e energia, antes de entrar no Data Group há quase dez anos. Mas a minha história é a parte menos interessante, e digo isto sem falsa modéstia: nada do que a empresa é hoje foi feito por uma pessoa.

O Data Group é o resultado de uma equipa muito dedicada, em cinco países, que ao longo destes anos escalou serviços, abriu operações fora do Brasil, passou por um rebranding completo e, no meio disso tudo, construiu um produto de raiz. Há pessoas que estão cá desde o início e pessoas que entraram há meses e já estão a tomar decisões. Se há algo de que me orgulho como Co-CEO é de a empresa não depender de mim para funcionar, e de a operação em Lisboa ser um exemplo disso: cresceu cerca de 35% em dois anos com gestão local e autonomia real.

2. Em 2026, o Grupo Data passou a Data Group, com uma única marca para os cinco países. O que motivou a mudança e o que muda, na prática, para clientes e para a equipa?

A motivação foi simples: estávamos a operar em cinco países com uma marca que só funcionava bem num. "Grupo Data" era lido de forma diferente em Lisboa, em Madrid ou nos Estados Unidos, e tínhamos domínios, identidades e até processos diferentes por geografia. Quando um cliente multinacional nos contratava em dois países, parecia que estava a lidar com duas empresas.

O rebranding fecha isso. Passa a existir uma só marca, um só domínio (datagroup.global), uma só proposta de valor e a mesma forma de trabalhar em qualquer escritório. Para o cliente, isso significa o mesmo contrato, o mesmo nível de serviço e a mesma equipa de gestão, independentemente do país. Para a equipa, significa que um developer em Lisboa está na mesma empresa, com a mesma intranet, os mesmos processos e as mesmas oportunidades que um colega em São Paulo ou em San Francisco, e não numa "filial". A nova identidade visual é a parte visível, mas o trabalho de fundo, unificar a operação, foi feito pelas equipas de cada país ao longo de mais de um ano.

3. A empresa organiza-se em quatro verticais: Asset Management, Inteligência Artificial, Talent e Cibersegurança. Para quem está pouco familiarizado, o que faz o Data Group concretamente e como é que estas áreas se alimentam umas às outras?

Asset Management é a gestão do parque tecnológico do cliente: ITSM, service desk, gestão de activos e de ciclo de vida, com plataformas como o SysAid. É a vertical mais recorrente e a que nos dá uma visão muito concreta de como a TI de uma empresa funciona no dia a dia.

Talent é a alocação de equipas e profissionais de tecnologia em projectos dos clientes, que é hoje o núcleo da operação em Portugal. Cibersegurança cobre a protecção do dia a dia das empresas: SOC com monitorização e resposta a incidentes, testes de intrusão, gestão de vulnerabilidades e apoio à conformidade com o RGPD e a NIS2. E Inteligência Artificial é a vertical mais recente: consultoria, formação, implementação de modelos em produção (somos parceiros da Anthropic) e agora o Data Omnis.

A ligação entre elas é o que nos distingue de uma consultora que só faz uma coisa. O Asset Management dá-nos acesso aos dados e aos processos do cliente; o Talent dá-nos engenheiros que conhecem esses ambientes por dentro; a Cibersegurança garante que o que construímos é seguro; e a IA é onde isso tudo se transforma em produto. O Data Omnis nasceu precisamente de ver, projecto após projecto, os mesmos problemas de contexto e governação a bloquear pilotos de IA.

4. A equipa de Lisboa cresceu cerca de 35% em dois anos. Que tipo de projectos chegam a Portugal? Como é que a equipa portuguesa colabora com os outros escritórios no dia a dia (fusos horários, clientes europeus, língua)?

A Lisboa chegam sobretudo projectos de engenharia para clientes portugueses e europeus: equipas de desenvolvimento alocadas em clientes de vários sectores, projectos de dados e, cada vez mais, pedidos ligados a IA. Portugal é também a nossa porta de entrada para a Europa: é a partir daqui que servimos clientes que precisam de equipa em fuso europeu e de conformidade com o RGPD.

No dia a dia, a equipa de Lisboa é gerida localmente, com gestão portuguesa, e isso é deliberado: as decisões sobre pessoas, clientes e projectos em Portugal tomam-se em Portugal. A colaboração com o Brasil e com os Estados Unidos acontece nas áreas transversais, como IA, cibersegurança e produto. O fuso ajuda mais do que atrapalha: a manhã em Lisboa é tempo de foco, e à tarde há quatro ou cinco horas de sobreposição com São Paulo para reuniões. A língua é uma vantagem óbvia em relação a outras multinacionais com hub em Portugal, mas a regra é que a documentação técnica é em inglês, porque a empresa também opera em Espanha, nos Estados Unidos e no Canadá.

5. O Data Group trabalha em áreas muito diferentes: service desk, cibersegurança, automação industrial, desenvolvimento de software, IA. Como funciona a progressão e a especialização técnica dentro da empresa, e que perfis estão a contratar em Lisboa nos próximos meses?

Vou ser directo, porque é o que esta comunidade espera: numa empresa de serviços, a progressão técnica não acontece por decreto, acontece por exposição. O que as nossas equipas oferecem a quem entra é a diversidade de ambientes: uma pessoa pode entrar num projecto de desenvolvimento num cliente, passar para um projecto de dados e, dois anos depois, estar numa equipa de IA. Temos casos concretos disso na equipa, de pessoas que entraram alocadas num cliente e hoje trabalham em dados ou em IA.

Em paralelo, investimos em certificação: temos uma equipa de arquitectos certificados pela Anthropic, além dos percursos de Microsoft, Oracle e AWS. E o Data Omnis criou algo que não existia na empresa: uma equipa de produto, com roadmap próprio, onde um engenheiro trabalha em código que é nosso e não do cliente.

Em Lisboa, nos próximos meses, estamos a contratar engenheiros e arquitectos de IA, para projectos em Portugal e para a equipa que vai levar o Data Omnis ao mercado europeu.

6. O Data Omnis é usado por empresas em vários países, cada um com regras de privacidade e sistemas diferentes. O que foi preciso ter em conta para o produto funcionar bem na Europa?

O produto foi desenhado desde o início para operar em mais do que um país, e isso obrigou a decidir cedo o que é universal e o que é local. Universal são os princípios de protecção de dados: finalidade, minimização, direito ao esquecimento e registo de quem acedeu a quê. Isso está no núcleo do produto e não muda de país para país.

O local está nos detalhes. O sistema que detecta dados pessoais tem de reconhecer os identificadores de cada país; em Portugal, o NIF, o NISS, o cartão de cidadão ou o IBAN. Os dados dos clientes europeus, incluindo as chamadas aos modelos de IA, ficam numa região europeia e nunca saem dela. Os conectores falam com os sistemas de gestão mais usados em cada mercado. E a própria linguagem da interface tem de ser a do utilizador, porque um produto de governação ganha ou perde credibilidade na primeira conversa com um DPO.

7. Para um developer em Portugal que está a considerar entrar numa empresa com raízes fora da Europa, que conselho darias?

Três perguntas antes de aceitar. Primeiro: quem manda localmente? Se todas as decisões sobre a tua carreira são tomadas noutro fuso, vais sentir isso todos os dias. No Data Group a gestão em Portugal é portuguesa e tem autonomia, e eu diria para confirmares isso em qualquer empresa, não para acreditares no que uma entrevista diz. Fala com quem está na equipa.

Segundo: o que é que a empresa faz em Portugal que não faz noutro lado? Se a resposta for "é mais barato", cuidado. Se a resposta for "é a porta para a Europa" ou "é onde está a equipa de produto X", há um projecto de longo prazo e não um centro de custos.

Terceiro: em que fase está a operação? Entrar numa equipa que cresceu 35% em dois anos e ainda está a definir-se significa mais responsabilidade mais cedo, mas também menos estrutura. Há quem goste e há quem prefira uma empresa já feita. As duas respostas são legítimas, o importante é saber qual é a tua. E, claro, lê as reviews aqui no Teamlyzer antes de decidir, as nossas incluídas.

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