A Academia da Kuehne+Nagel: onde 100% dos participantes ficam na equipa
Um modelo de formação com taxa de internalização de 100%, pensado para transformar estudantes em developers.
Quando se pensa em logística, raramente se pensa em código. A Kuehne+Nagel, gigante suíça presente em cerca de 100 países e com cerca de 88.000 pessoas, quer mudar essa percepção. A empresa conta com mais de 400 colaboradores no seu Tech Hub no Porto e uma operação total em Portugal que ultrapassa os 500 profissionais. Muitos estão a trabalhar com tecnologias como Java, Python, Kubernetes e Apache Kafka em projetos globais de logística digital.
Uma das apostas da empresa para atrair talento jovem são as suas Academias: programas que funcionam como porta de entrada para quem está a iniciar carreira. Até ao momento, o modelo tem uma taxa de internalização de 100%, o que significa que todos os participantes que passaram pela Academia acabaram por integrar a equipa, atestando assim a qualidade da atração do talento.
A estratégia vai além do ensino superior. A Kuehne+Nagel mantém parcerias com escolas profissionais e universidades, onde cria uma ligação entre o percurso educativo e as oportunidades dentro da empresa. Fomos perceber como funciona este modelo e o que significa construir uma pipeline de talento desde a sala de aula até à Kuehne+Nagel.
Para compreender melhor o funcionamento da Academia da Kuehne+Nagel e o seu papel na formação de novos talentos tecnológicos, falámos com António Sernadas e José Miguel Mendes, ambos Engineering Managers na empresa.
1. A Kuehne+Nagel é conhecida pela logística global. Como surgiu a decisão de criar academias internas de tecnologia para atrair e formar talento jovem?
A decisão de criar a Academia da Kuehne+Nagel está diretamente ligada à nossa aposta contínua na inovação e na evolução tecnológica. Num setor que se transforma constantemente, influenciado por mudanças tecnológicas, económicas e geopolíticas, é fundamental garantir que continuamos a atrair novas perspetivas e a desenvolver competências alinhadas com os desafios do futuro.
As Academias permitem-nos reforçar a ligação ao meio académico e aproximar-nos de alguns dos melhores talentos que estão a concluir a sua formação. Para além de representarem uma porta de entrada para jovens profissionais, trazem também novas ideias, diferentes formas de pensar e uma energia que contribui para a evolução das nossas equipas e da nossa cultura de engenharia.
2. A Academia tem atualmente uma taxa de internalização de 100%. Como funciona o programa, desde a candidatura até à integração na equipa?
A Academia da Kuehne+Nagel foi desenhada para proporcionar uma transição estruturada entre o contexto académico e o ambiente profissional. Atualmente realizamos duas edições por ano, recebendo jovens talentos que pretendem iniciar a sua carreira num contexto tecnológico internacional.
O processo começa com uma fase de candidatura, seguida de um Open Day onde os participantes têm a oportunidade de conhecer melhor a Kuehne+Nagel, a nossa cultura de engenharia, os produtos que desenvolvemos e as tecnologias com que trabalhamos. Os candidatos passam depois por entrevistas com líderes técnicos das nossas equipas, num processo focado não apenas nas competências técnicas, mas também no potencial de crescimento, na capacidade de aprendizagem e na motivação para integrar a organização.
Após a seleção, os participantes iniciam um programa de onboarding e formação que lhes permite compreender o negócio, os nossos processos e a realidade tecnológica da empresa.
Uma das características que distingue a Academia é o contacto muito próximo com equipas e desafios reais diários. Desde cedo, os participantes são integrados no ambiente de trabalho, acompanhados por mentores experientes que os ajudam a desenvolver competências técnicas e profissionais.
Os resultados falam por si. Até ao momento, a Academia apresenta uma taxa de internalização de 100%, o que demonstra não só a eficácia do programa, mas também a qualidade do talento que conseguimos atrair e desenvolver.
3. O vosso tech hub no Porto reúne mais de 400 colaboradores a trabalhar. Para quem associa logística apenas a camiões e armazéns, que tipo de problemas técnicos resolvem estes developers?
À primeira vista, transportar mercadorias de um ponto para outro pode parecer um processo simples. No entanto, quando falamos de operações logísticas globais, estamos perante um ecossistema extremamente complexo, que envolve milhares de clientes, parceiros de transporte, regulamentações locais e fluxos de informação em tempo real.
No Porto Tech Centre da Kuehne+Nagel, os nossos profissionais desenvolvem soluções tecnológicas que ajudam a gerir e otimizar toda esta complexidade. Trabalhamos em aplicações e plataformas que permitem acompanhar envios em tempo real, melhorar a visibilidade das cadeias de abastecimento, automatizar processos operacionais, analisar grandes volumes de dados e apoiar a tomada de decisão dos nossos clientes em todo o mundo.
Os desafios vão muito além do transporte de mercadorias. As nossas equipas desenvolvem tecnologia capaz de coordenar informação proveniente de diferentes meios de transporte, garantir a integração entre múltiplos parceiros e responder rapidamente às constantes mudanças que afetam o comércio internacional. Estamos a falar de produtos utilizados diariamente em operações globais, onde fiabilidade, escalabilidade e desempenho são fatores críticos.
É precisamente esta dimensão tecnológica que surpreende muitas pessoas. Embora a Kuehne+Nagel seja reconhecida como uma das maiores empresas de logística do mundo, uma parte significativa dessa operação é suportada por equipas de tecnologia que desenvolvem produtos inovadores com impacto global e que ajudam a transformar digitalmente a indústria da logística e dos transportes.
4. A Kuehne+Nagel (KN) mantém parcerias com escolas profissionais e universidades. Como funcionam estas colaborações?
As parcerias com escolas profissionais e universidades são uma componente importante da nossa estratégia de atração e desenvolvimento de talento. Trabalhamos de forma próxima com instituições de ensino para criar uma ligação entre o percurso académico dos estudantes e as oportunidades existentes no nosso Porto Tech Centre da KN.
Esta colaboração assume diferentes formatos, incluindo participação em feiras de emprego, sessões de apresentação da empresa, workshops técnicos, estágios curriculares e profissionais, teses de mestrado e iniciativas académicas que permitem aos estudantes conhecer melhor a realidade de um Tech Hub global, no mundo da logística e transportes.
Neste caso concreto, a academia surge como uma extensão natural desta relação. Muitos dos participantes têm contacto com a Kuehne+Nagel através destas parcerias e encontram na Academia uma oportunidade de complementar os conhecimentos adquiridos durante a formação académica com experiência prática, mentoria especializada e contacto com projetos reais.
Para as instituições de ensino, estas colaborações ajudam a alinhar a formação com as competências mais procuradas pela indústria e, para os estudantes, representam uma oportunidade de iniciarem a carreira num ambiente internacional.
5. A stack do tech hub no Porto inclui Java, Python, Kotlin, Kubernetes e Apache Kafka. Que tecnologias aprende um participante da Academia durante o programa?
Como desenvolvemos diferentes soluções tecnológicas para suportar operações globais de logística, as tecnologias utilizadas podem variar de acordo com o contexto em que cada pessoa é integrada.
Ainda assim, existem algumas tecnologias e práticas que fazem parte do dia a dia de muitas das nossas equipas. Ao longo da Academia, os participantes têm a oportunidade de aprofundar conhecimentos em linguagens como Java e tecnologias de desenvolvimento moderno, bem como ganhar contacto com plataformas Cloud, arquiteturas distribuídas, Kubernetes e outras ferramentas utilizadas em ambientes empresariais de larga escala.
Mais importante do que dominar uma tecnologia específica é desenvolver uma base sólida de engenharia de software. Procuramos ajudar os participantes a compreender boas práticas de desenvolvimento, colaboração em equipa, metodologias ágeis, qualidade de código e resolução de problemas reais de negócio. Estas competências acabam por ser tão importantes como o conhecimento técnico em si.
6. Como é o dia a dia de um participante da Academia: trabalha em projetos reais desde o início ou passa por uma fase de formação separada?
Ao longo das diferentes edições da Academia, experimentámos abordagens distintas. Em alguns momentos, a aprendizagem decorreu de forma mais isolada, através de contextos dedicados à formação. Noutras situações, os participantes foram integrados diretamente nas equipas desde uma fase muito inicial. A experiência demonstrou-nos que a proximidade ao contexto real de trabalho gera melhores resultados, tanto para a aprendizagem como para o desenvolvimento profissional.
Existe uma fase inicial de Onboarding e adaptação, cujo principal objetivo é ajudar os participantes a compreender a organização, o negócio, as tecnologias e as metodologias de trabalho utilizadas pelas nossas equipas.
Atualmente, privilegiamos um modelo em que os participantes têm contacto próximo com as equipas e com desafios reais desde cedo, sempre acompanhados por colegas mais experientes e por mentores. Esta abordagem permite que adquiram competências técnicas de forma mais rápida e real, compreendam melhor o impacto do seu trabalho e desenvolvam naturalmente competências de colaboração e comunicação.
Mais do que uma formação teórica, a Academia procura proporcionar uma experiência prática e imersiva. Acreditamos que a melhor forma de aprender engenharia de software é participando ativamente na realidade das equipas, observando, experimentando, colaborando e contribuindo gradualmente para produtos utilizados à escala global da Kuehne+Nagel. Esta integração precoce ajuda a acelerar a curva de aprendizagem e a preparar os participantes para uma transição natural para a sua futura equipa.
7. Qual é o erro mais comum que os participantes cometem nas primeiras semanas, e como os ajudam a ultrapassá-lo?
Um dos desafios mais frequentes nas primeiras semanas é a tendência para acreditar que precisam de saber tudo desde o primeiro dia. Muitos participantes chegam com vontade de demonstrar rapidamente as suas capacidades e, por vezes, hesitam em fazer perguntas ou pedir apoio quando encontram dificuldades.
Na realidade, a Academia da Kuehne+Nagel foi criada precisamente para apoiar essa fase de transição entre o contexto académico e o ambiente profissional. Incentivamos os participantes a adotarem uma mentalidade de aprendizagem, a partilharem dúvidas e a procurarem feedback regular junto dos seus mentores e colegas.
Outro desafio comum é a adaptação à complexidade de uma organização global. Os participantes passam de projetos académicos, normalmente mais limitados em escala, para soluções que têm impacto em operações utilizadas em vários países e por milhares de utilizadores. Com o apoio das nossas equipas, sessões de onboarding estruturadas e acompanhamento contínuo, ajudamo-los a compreender gradualmente os processos, as tecnologias e o contexto de negócio onde estão inseridos.
O mais importante é perceberem que não esperamos que cheguem com todas as respostas. Valorizamos muito mais a curiosidade, a vontade de aprender, a capacidade de colaboração e a atitude positiva perante novos desafios.
8. Quantas edições da academia já realizaram e como é que o programa evoluiu desde a primeira?
A edição que estamos atualmente a preparar será a quarta Academia da Kuehne+Nagel. Ao longo deste percurso, o programa tem evoluído com base na experiência adquirida e no feedback recolhido, sempre com o objetivo de proporcionar a melhor experiência de aprendizagem possível aos participantes e maximizar o seu desenvolvimento profissional.
Desde a primeira edição, testámos diferentes modelos de integração.
A principal conclusão foi que a integração mais próxima das equipas e dos contextos reais de trabalho gera melhores resultados. Por isso, a Academia foi evoluindo no sentido de proporcionar uma experiência cada vez mais imersiva.
Esta evolução reflete também a maturidade que a Academia foi ganhando ao longo dos anos. Hoje, o programa representa muito mais do que uma iniciativa de recrutamento: é uma peça importante da nossa estratégia de desenvolvimento de talento e uma forma de reforçar a nossa cultura de engenharia, preparando a próxima geração de profissionais que irão contribuir para a inovação tecnológica da Kuehne+Nagel.
9. De que forma as Academias contribuem para os objetivos de crescimento da empresa, nomeadamente ao nível do aumento do número de colaboradores ou da expansão da operação em Portugal?
As Academias desempenham um papel fundamental na nossa estratégia de crescimento sustentável.
Num mercado altamente competitivo, identificar e desenvolver talento desde o início da carreira permite-nos construir equipas preparadas para responder às necessidades atuais e futuras do negócio.
Mais do que um programa de formação, a Academia da Kuehne+Nagel é uma forma de criar uma pipeline contínua de talento, alinhada com as competências técnicas e comportamentais que procuramos. Este modelo permite integrar novos profissionais de forma estruturada, acelerando a sua adaptação ao ambiente de trabalho e contribuindo para o crescimento do Tech Hub no Porto.
Na Kuehne+Nagel, acreditamos que o potencial e a atitude são tão importantes como a experiência. Somos uma empresa naturalmente junior friendly e gostamos de dar oportunidades a pessoas que estão a iniciar o seu percurso profissional. Investimos na formação, no acompanhamento e na mentoria porque reconhecemos o valor de desenvolver talento internamente e de proporcionar um ambiente onde os profissionais possam crescer e construir uma carreira de longo prazo.
10. Que conselho dariam a um estudante que está a terminar o curso e quer candidatar-se à Academia da Kuehne+Nagel?
O principal conselho é manter uma atitude de aprendizagem contínua e demonstrar curiosidade genuína pela tecnologia, este é o mindset certo. Procuramos pessoas com bases técnicas sólidas, mas valorizamos igualmente competências como a capacidade de resolver problemas, o espírito de equipa, a comunicação e a vontade de evoluir – as chamadas soft skills.
Não é necessário conhecer todas as tecnologias que utilizamos desde o primeiro dia. O mais importante é mostrar motivação para aprender, capacidade de adaptação e interesse em compreender o impacto que a tecnologia pode ter no negócio. Recomendamos também que os estudantes procurem envolver-se em projetos académicos, iniciativas extracurriculares ou desafios práticos que lhes permitam desenvolver competências técnicas e ganhar experiência a trabalhar em equipa.
Acima de tudo, sejam autênticos durante o processo de candidatura. Mais do que procurar perfis perfeitos, procuramos potencial, vontade de crescer e pessoas que queiram construir uma carreira de longo prazo connosco, na Kuehne+Nagel.
