HiBob: a empresa de HR tech de Tel Aviv que está a construir um dos seus maiores centros tecnológicos em Lisboa
Como a equipa de engenharia em Lisboa cresceu para 80 profissionais e usa IA, MCP e automação para acelerar o desenvolvimento do produto Bob.
A HiBob foi fundada em Tel Aviv em 2015 e é hoje uma das plataformas de RH mais utilizadas, com o seu produto Bob a servir mais de 5.000 clientes em todo o mundo. Sediada em Nova Iorque e com escritórios em Londres, Tel Aviv, Amesterdão, Sydney, Berlim, Toronto, Zagreb e Lisboa, a empresa emprega atualmente cerca de 2.000 pessoas a nível global.
Em 2022, a HiBob adquiriu a empresa portuguesa Bugle e transformou-a no seu centro tecnológico em Lisboa, liderado por João Ferro Rodrigues. Quatro anos mais tarde, a equipa em Portugal cresceu de 12 para 80 Bobbers, sobretudo em tecnologia e apoio ao cliente, tornando-se uma peça fundamental da estratégia de crescimento internacional da empresa.
Falámos com Pedro Torres, da equipa de tecnologia em Lisboa, sobre como é construir este centro a partir daqui e para onde se dirige a seguir.
1. Como era o seu percurso profissional antes de se juntar à equipa de tecnologia da HiBob em Lisboa?
Antes de entrar para a HiBob, passei mais de uma década na engenharia de software, progredindo por diferentes funções técnicas e de liderança. Comecei como programador de software, passei para a liderança de suporte e de desenvolvimento e, mais tarde, tornei-me responsável pela gestão de equipas de engenharia e pela entrega a clientes num ambiente de consultoria.
Essa experiência deu-me contacto com diferentes setores, tecnologias e formas de trabalhar. Com o tempo, quis mudar-me para uma empresa de produto onde pudesse estar próximo de um produto a longo prazo, compreender melhor os clientes e melhorar continuamente o que construímos. Foi isso que me atraiu na HiBob.
2. A HiBob tem atualmente escritórios em nove países, incluindo Tel Aviv, Nova Iorque e Londres. Que papel desempenha o polo de Lisboa hoje?
A HiBob continua a expandir e hoje estamos distribuídos por nove escritórios em todo o mundo, incluindo as nossas localizações mais recentes em Zagreb e Toronto.
O escritório de Lisboa tornou-se um dos principais polos de engenharia da HiBob. As equipas aqui detêm áreas estratégicas do produto e trabalham em estreita colaboração com Produto e Design, desde a descoberta até à entrega e melhoria contínua.
Uma das coisas que mais me chamou a atenção depois de entrar foi o quão integradas as equipas estão entre as várias localizações. A colaboração com colegas em Tel Aviv, Zagreb e nos nossos outros escritórios faz simplesmente parte da nossa forma de trabalhar. As ideias e as decisões são impulsionadas pelo conhecimento especializado e pela colaboração, e não pela geografia.
3. Desde a aquisição em 2022, a equipa de Lisboa cresceu de 12 para 80 pessoas. Como descreveria essa evolução?
Crescer de um pequeno escritório para um dos maiores centros tecnológicos da HiBob mudou naturalmente a escala do que fazemos, mas o que mais me impressiona é termos conseguido manter a mesma mentalidade colaborativa ao longo de todo esse percurso.
À medida que a organização cresceu, aumentaram também as oportunidades. Foram criadas novas equipas de engenharia, surgiram funções de liderança e as pessoas puderam evoluir em diferentes direções, quer na liderança técnica, na gestão de pessoas ou em responsabilidades multifuncionais mais alargadas.
Fazer parte desse crescimento tem sido incrivelmente gratificante, porque não vemos apenas a empresa a evoluir - temos a oportunidade de ajudar a moldá-la.
4. O Bob é a plataforma de RH da HiBob, utilizada diariamente por mais de 5.000 empresas em todo o mundo, incluindo a própria HiBob. Há alguma funcionalidade criada pela equipa de Lisboa que utilize no seu próprio trabalho?
Claro. Uma das vantagens de construir um produto que também usamos internamente é que vivenciamos muitos dos mesmos fluxos de trabalho que os nossos clientes.
Como líder de equipa a trabalhar em Desenvolvimento de Carreira, utilizo com frequência funcionalidades que apoiam a melhoria de competências, conversas de desenvolvimento, o crescimento dos colaboradores e as necessidades de aprendizagem; todas estas capacidades foram construídas pelas equipas de engenharia de Lisboa. Utilizar o produto nós próprios cria um ciclo de feedback valioso e ajuda-nos a compreender melhor como as nossas decisões afetam as pessoas que usam o Bob todos os dias.
5. A HiBob segue um modelo de trabalho híbrido. Como é organizada uma semana típica entre casa e o escritório?
Para mim, a maior vantagem do modelo híbrido é permitir-nos usar cada ambiente para aquilo em que é melhor.
Os dias no escritório são habitualmente focados na colaboração: sessões de refinamento (grooming), discussões de design, workshops, mentoria e, simplesmente, passar tempo juntos como equipa. Os dias remotos proporcionam espaço para trabalho focado, permitindo em simultâneo uma colaboração sem atritos com colegas de diferentes países.
Por sermos uma empresa global, passámos também a dar grande importância à comunicação, para tornar a colaboração eficaz, independentemente da localização dos colaboradores.
6. No processo de desenvolvimento de software da sua equipa, que práticas considera mais cruciais para a qualidade do produto?
Uma das maiores mudanças no nosso processo de engenharia foi irmos além do simples autocompletar de código e passar a integrar a IA ao longo de todo o ciclo de vida. Não usamos a IA para «fazer mais com menos» - a nossa estratégia é «fazer mais com mais». Ao equipar os engenheiros com ferramentas como o Cursor/Claude Code, acesso ao Model Context Protocol (MCP) em várias plataformas, um marketplace de contexto de IA, automação personalizada de revisão de pull requests e ferramentas internas sensíveis ao contexto, capacitamo-los para procurar resultados maiores e de maior impacto.
Na prática, ferramentas como o Cursor tratam do trabalho pesado de geração de código repetitivo (boilerplate), escrita de testes e navegação em bases de código complexas. Mas o verdadeiro valor não está apenas na velocidade; está na mudança do local onde os engenheiros passam o seu tempo. Passam menos tempo com sintaxe repetitiva e mais em trabalho de grande impacto: arquitetura de sistemas, design de APIs, segurança e resolução de pontos de fricção centrais do produto.
Naturalmente, as respostas da IA não são uma solução mágica - tratamos o código gerado por IA como um primeiro rascunho que exige uma revisão rigorosa por pares, verificações de desempenho e testes, para assegurar a facilidade de manutenção.
7. Ao desenvolver funcionalidades de inteligência artificial no produto Bob, que precauções tomam antes de as lançar aos clientes?
Ao integrar capacidades de IA no Bob, a nossa maior prioridade é equilibrar a inovação rápida com segurança zero-trust e privacidade de dados. Os dados de RH são inerentemente sensíveis, pelo que tratamos a confiança como um requisito de arquitetura, e não como uma reflexão tardia.
Técnica e operacionalmente, impomos regras rigorosas antes de qualquer funcionalidade chegar a produção:
- Sem treino em dados de clientes: Os conjuntos de dados dos clientes estão completamente isolados e nunca são usados para afinar (fine-tune) ou treinar modelos LLM fundacionais.
- Aplicação estrita de multi-tenancy e autorização: Os serviços de IA executam estritamente através da nossa camada principal de API, assegurando que o isolamento de fronteiras entre instâncias (tenants) e as permissões granulares dos utilizadores são aplicados antes que qualquer contexto chegue ao modelo.
- Fluxos de trabalho com agentes e intervenção humana (human-in-the-loop): Em tarefas complexas, como resumos automáticos de desempenho ou perspetivas sobre talento, os nossos agentes de IA específicos por domínio funcionam como assistentes e não como motores de execução autónomos. Ações de escrita de alto risco requerem sempre confirmação humana explícita.
- Integrações seguras no ecossistema: Recorremos a padrões modernos, como o MCP, para permitir que programadores e ferramentas empresariais interajam com o contexto de dados do Bob em segurança, sem comprometer as fronteiras de segurança.
- Avaliação automatizada e lançamentos graduais: Executamos fluxos de avaliação automatizados para comparar as respostas geradas face a critérios de alucinação, enviesamento e desempenho, lançando funcionalidades em fases sucessivas (phased rings) para validar a fiabilidade no mundo real.
Para nós, a IA não é colar wrappers genéricos de LLMs a uma interface; trata-se de construir ferramentas resilientes, seguras e genuinamente úteis, nas quais as equipas de RH e os colaboradores possam confiar com total segurança.
8. A HiBob cresceu como empregadora internacional, com o centro de Lisboa a ser um exemplo disso. Que novas oportunidades de carreira surgiram para si ao longo deste percurso?
Uma das coisas que mais aprecio é que, à medida que a empresa cresceu, também cresceram as oportunidades para contribuir de diferentes formas.
Além de liderar a minha própria equipa, tive a oportunidade de trabalhar em diferentes áreas do produto, colaborar com colegas de múltiplos países, apoiar contratações, orientar engenheiros e contribuir para iniciativas que ajudam a desenvolver a liderança de engenharia dentro da organização. Isso é algo que valorizo muito. O crescimento não passa apenas por mudar de função - trata-se também de expandir continuamente as formas de ter impacto.
Os engenheiros da minha equipa também tiveram oportunidades de desenvolvimento resultantes do nosso crescimento, quer com progressão linear à medida que ganham mais experiência e transitam para funções mais seniores, quer através de movimentos laterais para outras equipas para contactarem com diferentes partes da plataforma.
9. Que conselho daria a alguém que esteja a pensar candidatar-se à equipa de tecnologia da HiBob em Lisboa?
Eu diria para vir com curiosidade, uma mentalidade colaborativa e vontade de assumir responsabilidade (ownership).
A HiBob dá aos engenheiros a oportunidade de contribuir muito para além de escrever código. Seja a influenciar decisões de produto, a melhorar práticas de engenharia ou a ajudar os colegas de equipa a crescer, as pessoas são incentivadas a envolver-se e a ter impacto.
Se gosta de trabalhar com pessoas talentosas, resolver problemas com significado e aprender continuamente, encontrará muitas oportunidades para se desafiar e desenvolver a sua carreira.
