Síndrome de Burnout - Uma doença cada vez mais tecnológica

Quais os principais sintomas de burnout e como os prevenir ou reduzir os seus efeitos?

Trabalhas na área das TI e sentes que a tua produtividade e de quem te rodeia não é a mesma? Sentes-te esgotado, com sentimentos negativos, falta de motivação e iniciativa?

Provavelmente estás em burnout.

Desde o dia 1 de Janeiro de 2022 que a Organização Mundial de Saúde reconhece e descreve o burnout como um “síndrome resultante de stress crónico no local de trabalho que não foi gerido com sucesso".

Todos os funcionários, independentemente do tipo de trabalho e área de atuação, sentem algum tipo de stress no trabalho de quando em vez. No entanto, há uma grande diferença entre sentirmo-nos cansados após um sprint e encontrar-se recorrentemente ausente de energia de forma a ser consistentemente produtivo, com graves custos para a saúde e bem estar.

Um estudo intitulado “The state of Burnout in Tech” realizado pela plataforma de bem-estar mental Yerbo, que contou com a participação de mais de 36.200 profissionais de TI em 33 países, descobriu que dois em cada cinco trabalhadores correm alto risco de esgotamento devido a trabalharem mais horas que as esperadas, com cargas de trabalho mais exigentes e conflitos emergentes no balanço entre vida profissional e pessoal.

O mesmo relatório destaca ainda que 42% dos trabalhadores de TI estão atualmente a enfrentar altos níveis de esgotamento e por conseguinte a equacionar deixar a organização onde se encontram nos próximos seis meses, enquanto 62% dos profissionais de TI relatam estar "física e emocionalmente esgotados".

É seguro dizer hoje em dia que, se na maioria dos trabalhos e papéis profissionais desenvolvidos à distância o binómio casa-trabalho vem sendo esbatido conforme o passar do tempo, no caso dos profissionais IT esse balanço simplesmente não se sente. Os ataques cibernéticos, a volatilidade e demanda do mercado, entre outros fatores, fazem com que a separação da vida profissional e da vida pessoal seja muito difícil ou quase nula.

Burnout: principais sintomas

  • Insónias — apesar do cansaço extremo, não conseguimos relaxar e ter boas noites de sono.
  • Falhas de memória — os esquecimentos passam a ser comuns no dia-a-dia resultantes do esgotamento mental.
  • Baixa imunidade — o nosso corpo começa a enfraquecer reduzindo as suas defesas, ficando mais vulnerável a diversos tipos de doenças.
  • Fadiga persistente — constante sensação de desânimo e cansaço físico que pode durar vários dias, semanas ou até meses.
  • Irritabilidade — raiva ou falta de paciência para executar tarefas poderão tornar-se constantes e a causa de discussões e desentendimentos.
  • Ansiedade — constante sentimento de preocupação, nervosismo e procrastinação.
  • Depressão — tristeza, apatia, falta de esperança, “abandono de viver”.

O burnout não é exclusivo de determinado grupo de pessoas. Ninguém está imune. Pode acontecer a qualquer um, porém pessoas com baixa autoestima, dificuldade em lidar com o stress e suscetíveis a sucumbir perante pressão são mais vulneráveis em relação a outras. Ansiedade, desmotivação ou ausência de sentido podem ocorrer em situação de burnout, podendo levar à depressão com todas as consequências envolvidas e sabidas.

Como prevenir ou reduzir os efeitos de burnout?

A forma como esta doença se manifesta varia de pessoa para pessoa, mas quem por esta passa normalmente sente-se desvalorizada, sobrecarregada de tarefas, sem disponibilidade para a vida social e com vontade de se isolar regularmente.

É possível adotarmos uma série de estratégias que evitem chegarmos a situações de burnout e que nos permitam respirar, reduzir o stress e a pressão que possamos estar no local de trabalho. Eis algumas sugestões:

  • Lazer — Após a jornada de trabalho, desliga-te e garante a ti mesmo/a tempo de qualidade com amigos e família.
  • Ambiente — “Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és”. Afasta-te de pessoas tóxicas e que constantemente fazem comentários negativos sobre colegas e a própria empresa.
  • Excessos — Reduz o consumo de substâncias como o álcool, tabaco ou outras substâncias de caráter psicotrópico. Quando consumidas em excesso e em situação de stress, aumentam os níveis de ansiedade e confusão mental, piorando a situação pessoal.
  • Quebrar a rotina — Sempre que possível, tenta fazer algo diferente e que te permita sentir pleno/a, descansado/a e experienciar prazer.
  • Desporto — Sempre que possível tenta realizar uma atividade física. De preferência de forma regular.
  • Sono — Tenta dormir sempre 8 horas por noite e estabilizar uma boa rotina de sono.
  • Perfeccionismo / Auto Avaliação — Sê o/a teu/tua melhor amigo/a. Não exijas tanto de ti e quando sentires que não vais dar conta de tudo o que tens de fazer, diminui o ritmo e prioriza.
  • Pausas regulares — Faz pausas ao longo do dia de trabalho. Deixa o teu cérebro respirar e oxigenar-se um bocadinho, descansar e manter/aumentar a sua produtividade.
  • Trabalho é trabalho, conhaque é conhaque - Não abras a caixa de e-mail durante os teus momentos de pausa e de refeição. Resguarda-te e também não leias e-mails fora do local e horário de trabalho.
  • Férias - Não abdiques pois são fundamentais para o teu rendimento. És humano mas ainda assim precisas afastar-te e “carregar baterias”.
  • Cultura - Se trabalhas num local em que não te revês, desalinhado com os teus valores e crenças e cuja cultura vivida é tóxica para ti, procura uma alternativa e sai daí para fora.
  • Comunicação - É fulcral para se atingir os objetivos e chegar a melhorias concretas. Promove o diálogo e fala com a tua gestão direta procurando mudanças que elevem ainda mais o teu bem estar no local de trabalho e dos teus colegas.
  • Gestão - Se te encontras num cargo de gestão direta, usa e abusa da delegação de tarefas/responsabilidades. Sê teu amigo/a e transfere funções para as pessoas certas, descentralizando e diminuindo a tua carga de trabalho.

Notas finais

Por norma, os profissionais de informática amam o que fazem e consideram fazê-lo durante todo o tempo que tiverem disponível para dedicar à sua arte. Junta-se a imagem do fantástico que é trabalhar na indústria de desenvolvimento de software, tecnologias de informação e consultadoria, os seus escritórios e festas XPTO, valores salariais bem acima da média do comum mortal e parece que a vida é um sonho.

Esqueceram-se foi de mencionar que em nenhum outro lugar, profissionalmente falando, se encontram tantas problemáticas devido ao excesso de trabalho e toxicidade no ambiente de trabalho. É preciso cada vez mais humanizar estas empresas e a gestão praticada pelas mesmas, fomentando o aparecimento de gestores empáticos que consigam prever os problemas associados a um funcionário trabalhar mais de 12 horas por dia, todos os dias e ver isso como um problema, mesmo antes do colaborador o ver como tal.

Se te sentes sobrecarregado no teu trabalho não finjas ou escondas que está tudo bem. O silêncio nestes casos não ajuda. Apoia-te nos teus familiares e amigos e pede ajuda médica especializada. A Clínica da Mente é sobejamente conhecida como sendo especialista em casos de burnout, porém em portais como MedicalPort, ou Mundo dos Psicólogos também encontrarás o auxílio que necessitas para melhorar e fortalecer a tua saúde física e sanidade mental.

Na tua empresa, fala com alguém em quem confies e pede ajuda na reorganização do teu trabalho. Não dar crédito ao burnout e pensar que apenas se trata de uma fase passageira é um erro tremendo, pois esta é uma doença praticamente impossível de ignorar e que provavelmente trará dissabores tanto para ti como para o teu/a empregador/a. Sê vulnerável contigo mesmo/a e de forma empática e responsável, procura alguém dentro da organização em que trabalhas, expõe e partilha a situação por que estás a passar.

Estamos a fazer um questionário com o objetivo de saber se já sofreste, ou sofres, de burnout e o que as empresas fazem, ou podem fazer, nestas situações:

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