Actualização sobre despedimentos nas tecnológicas em Portugal

Depois de 2021 ter sido um ano fantástico para o crescimento das empresas de tecnologia , 2022 está a ser um ano horribilis para muitas delas.

[Artigo atualizado a 16/08/2022]

Se até agora este parecia um efeito ao qual o mercado português estava a escapar, o que é certo é que se começam a notar os primeiros sinais da falta de liquidez de algumas destas empresas com presença em Portugal.

São empresas que precisam diminuir a “burn rate” (velocidade a que a empresa está a perder dinheiro) para estender a sua liquidez.

Podes consultar os despedimentos feitos desde o início do ano na tabela agregadora do Teamlyzer.

Seguem abaixo, adicionalmente, alguns dos updates que nos têm chegado através da comunidade.

Jumia Porto Tech Center

Alegadamente relato de afetado adianta que, "a Jumia, a "Amazon de África", anunciou aos visados a dispensa de todos os colaboradores em regime de outsourcing e até de bastantes internos. Muitos na área de desenvolvimento." Números poderão ultrapassar os 70.

Outra fonte interna indica que apenas alguns outsourcing foram dispensados, mas não todos, ao contrário do que relato anterior indicava.

FRVR

Chega-nos rumor de fonte interna que:

Alegadamente estão a reduzir custos, internamente já se falam em despedimentos e muita gente começou já a procurar trabalho noutras empresas.

Farfetch

Segundo relato direto, a Farfetch:

"Devido a condições económicas está, alegadamente, a despedir cerca de 7% dos colaboradores do departamento de tecnologia. Desde o final de Julho até meio de Agosto, os colaboradores são contactados para aceitar um pacote de recolocação no mercado que engloba uma verba de indemnização em dinheiro.

O prémio de performance relativo ao ano anterior e adiantamento de equity com vesting até ao final de 2022. A seleção dos colaboradores foi feita por quadros superiores em alinhamento com a área de Recursos Humanos.

Este pedido veio diretamente dos executivos, dando seguimento numa reunião com todos os quadros superiores. Outros departamentos estão a ser ainda mais afetados. O futuro da empresa depende exclusivamente dos resultados acumulados até ao início do próximo ano no caso da tendência negativa se manter, em 2023 o número de despedimentos previstos para o departamento de tecnologia são 5x superiores aos valores atuais. Nesse eventual cenário, não há lugares assegurados para todas as posições, foi a mensagem passada dos executivos aos Diretores da empresa."

Inicialmente segundo fontes com acesso ao Slack da empresa, teria sido vazado um email do VP's de Produto sobre cortes. Managers de IT esclareceram e reforçaram que não haveria cortes na Farfetch IT.

Houve no entanto, uma alegada mudança na política de bónus. As Restricted Stock Units (RSU) darão lugar as Performance Stock Unit (PSU). As PSUs são RSUs com um gatilho de aquisição diferente, RSUs dependem apenas do tempo, as PSUs dependem da permanência na empresa até que algum objetivo, meta ou evento seja alcançado.

WiT Software

Relato direto de colaboradores da empresa indica que alegadamente toda a equipa de marketing se despediu.

Loggi

A Loggi dispensou cerca de 15% do seu quadro de 3.000 pessoas, aproximadamente 500 colaboradores. As demissões atingiram diversas áreas da companhia, incluindo tecnologia, design e recrutamento. Em Lisboa, onde a Loggi tem um hub de tecnologia, cerca de 40% da equipa foi cortada, 35 pessoas.

Talkdesk

A redução de colaboradores tem como objetivo alinhar recursos com “as prioridades da empresa” e “contexto económico”. Este corte poderá significar a saída de até 200 pessoas.

Relato direto de colaborador indica que muitos dos despedimentos foram de pessoas nos US de Vendas e Marketing.

Quase todos os colaboradores em período probatório foram dispensados e praticamente toda a equipa de recrutamento foi despedida (alegadamente reduzida a 4 pessoas) sendo que as vagas em aberto foram canceladas.

Alegadamente muitos séniores estão de saída para outras empresas incluindo o diretor de Talent/People que se demitiu após ter de despedir um grande número de colaboradores.

Anteriormente tinham-nos dado dezenas de informações que indicavam que a Talkdesk, unicórnio português de cloud contact center, depois de ter atingido o emblemático número de 2000 trabalhadores, estaria agora a cortar em pessoas do departamento de sales e recruitment. No entanto, atualizações mais recentes (27/07) indicam-nos que já há outros departamentos também afetados.

Foi-nos dito que "60+ colaboradores de R&D foram despedidos, com argumentação de downsize para conter impactos da crise económica pós covid + guerra na Ucrânia". Uma segunda fonte confirma este tese: "a Talkdesk tem vindo a comunicar ao longo desta semana despedimentos de 5% dos trabalhadores de R&D. A comunicação tem sido feita pelos líderes de cada business unit.".

Também engenharia parece agora ter sido afectada "para já, mais de 50 pessoas do departamento de engenharia foram despedidas" Além disso contratos em período experimental estão a ser atingidos "a empresa decidiu cancelar contratos em período experimental e deixar sair um conjunto de pessoas devido a um ajuste financeiro".

Ainda um outro feedback de fonte interna refere que "cerca de duas semanas antes das revisões salariais, foi comunicado que estás não iriam acontecer a meio do ano, apenas no final do ano fiscal. E foi passada a informação que os "low performers" foram convidados a sair da empresa".

Despedimentos na Talkdesk

Outro relato diz-nos que alegadamente várias dezenas de pessoas que estavam na Talkdesk em Portugal em regime de outsourcing IT estão a ser dispensadas nas últimas semanas (Junho e Julho).

Foi-nos igualmente informado de que há pessoas que aguardam há vários anos pela IPO (Initial Public Offering - estreia de uma empresa na bolsa) para beneficiarem das stock options que têm e que agora estão descrentes, sobre o avançar da mesma, dado o cenário actual do mercado.

De relembrar que em Agosto do ano passado, a empresa recebeu uma ronda de série D no valor de 196 milhões de euros.

Rows

Outra tecnológica bem conhecida do panorama nacional, a Rows, plataforma de low-code para spreadsheet, parece estar a ser fortemente afectada.

Recebemos informações que indicam que alegadamente 18 pessoas foram abrangidas por um despedimento colectivo. Um segundo relato diz mesmo que cerca de “50% vão ser despedidos”. Em Março do ano passado esta empresa recebeu uma ronda de financiamento série B no valor de cerca de 14 milhões de euros.

Entretanto uma fonte interna da empresa diz-nos o seguinte:

"Aconteceu um layoff de 18 pessoas, entre Portugal, a Alemanha e outros lugares. Não houve despedimento colectivo. O layoff aconteceu via revogações de contratos em período experimental, as outras foram terminações de contrato internacionais, outras foram via acordo."

Defined ai

Conhecida anteriormente por DefinedCrowd, é uma empresa que desenvolve projectos na área da inteligência artificial e machine learning. Recebemos indicações de que cerca de 50-75% da equipa de engenharia saiu em Março deste ano. Alegadamente acordos de confidencialidade foram assinados pelas pessoas, o que impede que as mesmas apresentem detalhes do processo (a única fonte pública a noticiar o despedimento foi a bizjournals). No entanto sabe-se que o CTO, e um dos VP, também saiu da empresa nessa mesma altura.

Remote

A Remote, plataforma para gestão de RH em teletrabalho e um dos mais recentes unicórnios portugueses, visto como um case study pelo seu rápido crescimento, anunciou hoje ir despedir 9% (há indicações de afinal ser 10%) das pessoas que emprega. O que equivale dizer que cerca de 100 pessoas ficarão sem emprego. Ainda há cerca de 3 meses tinha recebido 300 milhões de dólares numa ronda de investimento série C.

Os despedimentos serão sobretudo nas equipas de vendas e marketing. Já começou a notificar as pessoas afectadas, deixando-as ficar com os portáteis de trabalho. Indemnizações serão de acordo com a lei em vigor consoante cada país.

Cazoo

Também a Cazoo, empresa do UK que desenvolve um marketplace de carros usados, com forte presença IT em Portugal anunciou ir despedir 750 pessoas, cerca de 15% do total de colaboradores. Na apresentação que fez aos investidores foi também dado a conhecer reduções nos gastos ao nível de marketing, adiamento de projectos, entre outras.

Para já ainda não se sabe dos impacto que terá em Portugal. As noticias que circulam é de que começará por empregos no Reino Unido. Desde a entrada em bolsa as suas acções desvalorizaram quase -92%.

Fonte interna, entretanto revelou-nos que:

"Não houve 1 demissão em Portugal. Pelo contrário, eles (Cazoo) veem Portugal como um polo estratégico, porque temos bons profissionais a um preço menor do que no UK."

Alegadamente existiram cortes no UK mas vão ter mais contratações em PT para substituir e que alguns projetos de lá vieram para Portugal.

BitPanda

A BitPanda, unicórnio austríaco na área das criptomoedas, anunciou em Março a abertura de um hub tecnológico em Portugal.

Agora despediu globalmente 27% das pessoas, o que equivale a dizer 270 trabalhadores. Também nos foi dada a indicação que circula via WhatsApp relatos de ter despedido vários funcionários em Portugal.

Uma fonte mais recente indica-nos que "foram despedidas bem mais de 270 pessoas. Estamos a falar de números na casa das 400 pessoas numa primeira vaga. Depois, pelo que sei, foram os estagiários. Também foram rescindidas as ofertas de emprego feitas a pessoas que iam começar a trabalhar entretanto e que já se tinham despedido dos empregos anteriores".

Já este ano recebeu uma ronda de investimento série C no valor de 263 milhões de dólares.

LetsGetChecked

A LetsGetChecked, unicórnio Irlandês na área dos testes médicos, também recentemente iniciou os despedimentos. Não se sabe ao certo quantas pessoas foram afectadas, até porque fonte da empresa recusou-se a dizê-lo. Desconhece-se se teve impacto no hub IT que tem em Portugal. Entretanto uma nova actualização confirma-nos o impacto.

"Fui desligado no período de experiência pelos motivos da notícia, até onde eu falei com os meus ex-colegas teve mais gente em Portugal que teve o mesmo processo."

Recebeu há cerca de um ano uma ronda de investimento de série D no valor de 123 milhões de euros.

Shopify

A Shopify, empresa de origem canadiana que no ultimo ano desvalorizou cerca de 80% da valor em bolsa, também ela anunciou em Julho o despedimento de 10% dos trabalhadores, ou seja, cerca de 1000 pessoas. Sabe-se que tem algumas pessoas a trabalhar a partir de Portugal mas desconhecemos se terá algum tipo de impacto nas mesmas.

Klarna, Coinbase, Domestika

Vale a pena relembrar que já anteriormente tinham acontecido diversos despedimentos com repercussões em Portugal, como foi o caso da Klarna. Esta fintech conseguiu uma nova ronda de financiamento para se capitalizar, mas desta feita avaliada em “apenas” $6.5 mil milhões, depois de há cerca de um ano ter a avaliação astronómica de $46 mil milhões.

Valor da klarna

Fala-se de este ser um dos maiores colapsos de avaliação que os mercados privados já viram.

Como já noticiamos num dos artigos anteriores, outros investimentos IT em território nacional parecem estar a abrandar e a ser repensados, caso da Quinto Andar, Vtex ou CI&T.

Outra prática que se tem estado a banalizar é a rescisão de ofertas pré-acordadas. Pessoas que se despedem para aceitar novos desafios e depois acabam por ver a sua oferta cancelada. Entre as empresas com este tipo de práticas está a Coinbase ou Domestika.

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