Porque estão a acontecer tantos despedimentos nas Startups de tecnologia?

Várias startups tecnológicas estão a despedir. Será este um efeito isolado ou terá impacto no mercado IT em Portugal?

Startups em todo o mundo estão a reduzir as suas equipas. Todos ouvimos falar da Klarna, com o despedimento recente de 700 pessoas, quando há cerca de 1 mês anunciavam contratar 500 pessoas só em Portugal, mas existem tantos outros casos recentes.

Segundo o layoffs.fyi só em Maio de 2022 foram registados 14.708 despedimentos em startups com impacto principalmente no mercado Norte Americano, mas que já se alastrou à América do Sul e agora começa também a impactar o mercado Europeu .

Destacamos algumas:

  • Getir, start-up Turca de entregas que entrou em Portugal no início de Maio deste ano. Já tem em Portugal algumas dezenas de funcionários e acaba de despedir 4480 pessoas, ou seja 14% dos seus funcionários. Desconhece-se se teve impacto em Portugal.

  • Hopin, startup de eventos virtuais que cresceu bastante com a pandemia, com sede em Londres e que tem uma equipa de engenharia em Portugal. Dispensou 138 pessoas (12% dos trabalhadores).

  • Klarna, startup fintech sueca. Informações mais recentes indicam-nos que pelo menos 5 pessoas da Klarna em Portugal foram afinal afectadas.

  • Swvl, startup egípcia de mobilidade, dizia que a partir de 2020 ia contratar 150 pessoas para um novo centro tecnológico em Lisboa. Passados dois anos e meio não só não abriu nada em Portugal, como vai despedir 32% as pessoas, assim como congelar recrutamento e cortar nos custos com escritórios e salários do top management. Cerca de 400 pessoas serão afectadas, incluindo engenharia.

Imagem com logótipos das empresas que estão a despedir

Este efeito está a afectar fortemente também o mercado Brasileiro, com várias empresas tecnológicas de grande dimensão a passarem pelo mesmo e que já está a ter repercussões em Portugal:

  • Quinto Andar, unicórnio focado no aluguer e venda de imóveis, que anunciou a abertura de escritório em Portugal desde o final de 2021, despediu 160 pessoas em Abril no Brasil (4% dos trabalhadores), embora existam relatos internos que apontam para 800 pessoas (20% dos trabalhadores). Não se sabe se este corte afectará os planos para Portugal, mas à data da escrita deste artigo apenas tem cerca de 5 pessoas em Portugal, bem abaixo das 50 pessoas previstas até ao final de 2022.

  • Vtex, unicórnio na área do comércio digital, despediu em Maio de 2022 193 pessoas (11% dos trabalhadores). Em Portugal também apenas têm cerca de 10 pessoas, bem abaixo dos planos, que era acabar 2021 com 40 pessoas no nosso país.

  • A CI&T, multinacional de produtos e soluções digitais, esta sem relatos de despedimentos, foi outra das empresas brasileiras que abriu em Portugal em Fevereiro de 2020. Esperava em dois anos contratar cerca de 200 pessoas. À data de hoje tem apenas 25% dessa meta concluída. Ou seja, apenas emprega cerca de 50 pessoas em Portugal, bem abaixo das previsões que fez.

Ainda segundo a mesma fonte destacamos o seguinte gráfico que demonstra os despedimentos por startups desde o início de 2020.

Imagem com tabela sobre evolução dos despedimentos em startups

Mas os impactos não se ficam por aqui. Temos também as grandes empresas mundiais, como a Meta (Facebook, WhatsApp, Instagram), Uber, Coinbase, Twitter ou Microsoft a anunciarem o congelamento ou em alguns casos o abrandamento das contratações este ano.

Mas porque é que estas empresas estão a despedir?

Basicamente os investidores estão a cortar o financiamento às startups.

Dando algum contexto, durante os confinamentos, tornamo-nos mais dependentes da tecnologia, pois estávamos mais tempo presos aos nossos dispositivos e aplicações. Por isso as empresas de tecnologia tiveram um crescimento enorme com os lucros a dispararam.

O que está a acontecer agora é um ajuste à realidade.

Por um lado empresas cotadas em bolsa com as suas acções a descerem a pique. Por outro, empresas dependentes de capital de risco, empresas que literalmente "queimam dinheiro dos outros" a terem de garantir a sobrevivência considerando a hipótese de não conseguirem encontrar mais financiamento nos próximos meses. São empresas obrigadas a gastar menos para não esgotar a liquidez de que dispõem.

Imagem do aviso da Y Combinator

Mas para além disto, há outros factores de grande dimensão que afectam as empresas, como a inflação, a guerra na Ucrânia ou os confinamentos na China. Tudo isto provoca um grande problema nas empresas de tecnologia, pois nem mesmo os gigantes, como Netflix ou a Google, estão a escapar a este ajuste.

Outro ponto importante, é a pressão que algumas empresas têm para contratar e assim demonstrar um crescimento “artificial” e puder captar mais investimento, ainda que em alguns casos não precisem de mais pessoas. Quando a desvalorização destas empresas aparece, é necessário despedir.

As startups estão a ser forçadas a despedir pessoas porque o dinheiro está a esgotar-se e os investidores estão a tornar-se mais cautelosos.

Segue abaixo o aviso aos fundadores, feito pela Sequoia Capital, uma das mais importantes e conhecidas empresas de capital de risco.

Imagem do aviso da Sequoia Capital

Durante muito tempo, as startups estavam a receber muito dinheiro fácil com base, por vezes, num bom feeling sobre uma empresa, ignorando se a empresa tinha realmente forma de ganhar dinheiro. Isto acontecia porque o dinheiro era barato (situação económica em que os juros são baixos e por isso é priorizado o investimento).

E em Portugal? O que vai acontecer?

Portugal continua a ser um dos países mais atractivos do mundo para startups e é certo que temos vários hubs tecnológicos por cá. No entanto, até ao momento, à excepção da Hopin (não estamos certos que tenha tido impacto na equipa em Portugal) e da Klarna (+5 pessoas) ainda não existem notícias de despedimentos recentes na área em Portugal.

Não temos uma resposta, se o impacto em Portugal vai ser forte ou não, mas devemos estar atentos, pois estes despedimentos são uma tendência global. A nossa sugestão é manteres-te informado.

Mudar para uma startup neste momento é uma boa ideia?

Depende da startup e do seu momento. Nem todas vão ser afectadas, no entanto vale a pena reflectir que no caso de começarem a fazer despedimento numa empresa, naturalmente quem foi contratado há menos tempo e ainda está em período experimental, será um forte candidato a ser despedido.

Outro ponto importante é que num cenário de recessão existe menor liquidez no mercado, o que equivale a dizer menos comissões e menores receitas no sector das Fintechs. A PayPal é uma dessas empresas, esta semana também já fez despedimentos.

Mais uma vez, reforçamos que informação é poder. Como tal o melhor que podes fazer é manter-te informado. Participa na maior comunidade tech do país aqui e ajuda a tornar o mercado de IT mais transparente para todos. Aproveita e partilha também as tuas experiências de emprego e entrevista.

 

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