Como são feitos os rankings das melhores empresas para trabalhar

Existem publicações que todos os anos apresentam uma lista das melhores empresas para trabalhar. Estas são segmentadas por dimensão, setor, entre outros fatores.

Os principais motivos para as empresas terem interesse em participar nestes rankings, deve-se à publicidade (imprensa escrita, redes sociais ou reportagens televisivas), que resulta da divulgação dos rankings e que se reflete no volume de negócios de forma direta ou indireta.

E ao prestígio associado que motiva a atração do melhor talento, que por sua vez procura trabalhar nas ditas melhores empresas.

Agora, vamos à parte mais interessante deste assunto, ou seja, a forma em como estes estudos são processados.

  1. Primeiro as empresas pagam para participar. Isto é, apenas são consideradas as empresas que se inscrevem. No caso de o feedback ser realmente mau, o mais certo é a empresa não aparecer na lista. Ninguém paga para ler mal sobre si.

  2. Segundo, os colaboradores são "convidados" a participar no inquérito, e alguns selecionados para entrevistas com as pessoas das publicações. É frequente ser obrigatório participar através do e-mail de empresa (totalmente anónimo, não é?), sendo o preenchimento dos questionários feito em conjunto. São reunidos todos os colaboradores, à mesma hora, no mesmo local, e respondem de forma concertada. Também não é invulgar as entrevistas serem realizadas em salas próximas da administração, e claro, também terem as respostas preparadas.

  3. Por fim, é frequente ações de coaching e palestras pelos RH ou diretores. "Já sabem como é importante este estudo para a empresa".

Esta é uma prática de employer branding que procura dar visibilidade às empresas que nele participam, sendo recorrente pressionar os funcionários para darem as respostas convenientes.

Esse tipo de pressão acaba por ser transversal a outras áreas, como a de responsabilidade social. Muitas das atividades são obrigatórias, fora do horário de trabalho e não remuneradas.

Por fim deixo a questão. Será que as empresas presentes nesses rankings serão mesmo as melhores empresas para trabalhar?