Covid-19. Qual a semelhança entre Uber ou Airbnb e castelos de cartas?

Temos assistido a uma onda surpreendente, ou talvez não, de despedimentos em massa em empresas tecnológicas da moda.

Uber (6700 funcionários despedidos), Groupon (2800), Airbnb (1900), Yelp (1000), Tripadvisor (900), Glassdoor (300) e até o Stackoverflow (40). São centenas de startups. Este artigo não era suficiente para fazer a enumeração de todas.

O princípio básico de um negócio é que deve dar lucro. Deve dá-lo num período aceitável de tempo de maneira a que o investidor recupere o seu investimento e consiga ter lucro face ao capital que alocou.

Startups com 10 anos de existência, que continuam sem dar lucro ano após ano, unicamente não sofreram mais cedo porque os investidores continuaram a alimentar a bolha numa fase de farta liquidez e baixas taxas de juro no mercado financeiro.

Quanto mais se investe mais a resistência em aceitar a perda.

Acontece que esses mesmos investidores começaram a cortar as novas rodadas de financiamento porque o clima agora é de incerteza. Há que preservar o capital porque não se sabe o dia de amanhã. A liquidez e os activos de refúgio são reis em períodos de crise.

Confirma-se agora que a enormíssima maioria das empresas de tecnologia, apesar dos milhões de investimento, não têm capacidade de tesouraria para aguentar mais que um mês sem despedir. Nem de gerar lucro de forma autónoma e independente ao capital dos outros.

O resultado está a ser uma onda massiva de despedimentos nas empresas de tecnologia a nível global para cortar despesa.

Os departamentos mais impactados estão a ser comercial (29.9%), relação com cliente (21.7%) e engenharia e produto (18.3%). Fonte.

Teamlyzer covid live updates

Portugal tem um problema adicional. Grande parte dos profissionais de tecnologia está alocada através do regime de outsourcing. É o mesmo que dizer que existe grande facilidade de dispensa pelo cliente.

As crises são cíclicas. Têm o condão de filtrar os melhores negócios e eliminar os maus. Nesse ponto de vista há que ver o copo meio cheio e aceitar como um processo natural em termos económicos.

Podes seguir a nossa página live do Covid-19 para estar a par de como esta crise está a afectar o nosso mercado de emprego. E também descobrir quem está a contratar neste momento.

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