Constellation Automotive Group: o Tech Hub de Coimbra que está a transformar o futuro do mercado de carros usados na Europa
Constellation Automotive Group abre Tech Hub em Coimbra. Descobre o impacto global em tecnologia, dados e plataformas digitais no setor automóvel.
O Constellation Automotive Group é o maior mercado digital integrado de automóveis usados na Europa, reunindo marcas líderes nos segmentos consumer-to-business (C2B), business-to-business (B2B) and business- to-consumer (B2C).
Entre as principais marcas do grupo estão a BCA, plataforma digital de leilões B2B presente em mais de 20 países, a Cinch que simplifica a compra de carros usados totalmente online, a WeBuyAnyCar que permite vender veículos de forma rápida e segura, e o Marshall Motor Group é um dos maiores grupos concessionários na Europa.
Em 2024, o grupo deu um passo estratégico ao abrir, em Coimbra, o seu primeiro centro tecnológico fora do Reino Unido. O objetivo é desenvolver soluções tecnológicas transversais que suportem todas as áreas de negócio do grupo.
Para perceber melhor o papel do Tech Hub, falámos com Tiago Pratas, Technical Lead.
1. Tiago, podes falar-nos um pouco do teu percurso e que te motivou a entrar num Tech Hub dentro de um grupo automóvel?
Venho de área de engenharia de software, com experiência em desenvolvimento de produto, arquiteturas cloud native e liderança de equipas técnicas. O que me atraiu neste desafio foi, sobretudo, a transformação digital que o setor automóvel está a atravessar.
Hoje, já não falamos apenas de carros - falamos de dados, plataformas, logística, jornadas do cliente e tomada de decisão inteligente. A possibilidade de contribuir para esta evolução a partir de Coimbra, num Tech Hech com uma forte cultura de engenharia e impacto internacional, foi uma motivação decisiva.
2. As várias empresas do grupo atuam em segmentos diferentes e por isso têm necessidades muito diferentes. Qual é o papel concreto do Tech Hub neste ecossistema?
O Tech Hub de Coimbra funciona como um centro de tecnológico central que suporta as várias marcas do grupo. Apesar das diferenças entre os negócios, as equipas focam-se na construção de plataformas partilhadas, serviços core e capacidades escaláveis que podem ser utilizadas em todo o ecossistema.
Isto inclui áreas como sistemas de dados e valorização de veículos, experiências digitais para o cliente e infraestrutura cloud partilhada, bem como frameworks de DevOps. Na prática, o nosso papel passa por evitar a duplicação de esforço e acelerar a entrega de valor, através de uma base tecnológica comum, robusta e escalável.
3. O Tech Hub é o primeiro centro tecnológico do grupo fora do Reino Unido. O trabalho feito em Coimbra tem impacto internacional ou está focado num mercado ou produto específico?
Tem claramente um impacto internacional. As soluções desenvolvidas no Tech Hub são, na sua maoria, pensadas para múltiplos mercados, sendo escaláveis e adaptáveis a diferentes contextos operacionais. Mesmo quando um projeto nasce com foco num mercado específico, é desenhado desde o início com princípios que permitem a sua expansão para outras geografias.
4. Como começa um projecto típico no Tech Hub? Parte de necessidades de negócio ou da própria equipa de tecnologia?
Existem duas abordagens complementares. Por um lado, temos iniciativas top-down, orientadas pelas unidades de negócio, que trazem necessidades concretas - novas funcionaliades, melhorias operacionais ou requisitos de conformidade - normalmente integradas num roadmap de produto.
Por outro lado, existem iniciativas bottom-up, em que as equipas de engenharia identificam oportunidades com base em métricas, desempenho, escalabilidade, fiabilidade ou experiência de desenvolvimento. Este equilíbrio é essencial para garantir que entregamos valor ao negócio enquanto evoluímos continuamente a nossa maturidade técnica.
5. Que stack tecnológica é mais utilizada no dia-a-dia?
Embora possa variar entre equipas, trabalhamos com um stack moderno e diversificado. Ao nível de linguagens e frameworks, destacam-se C#/.Net, Java, TypeScript/Node.js, React e React Native. Em cloud, utilizamos Microsoft Azure e AWS. Na área de dados e integração, recorremos a Azure Service Bus, arquiteturas event-driven e bases de dados SQL e NoSQL. Já em DevOps, utilizamos ferramentas como Azure DevOps Pipelines, Terraform e Kubernetes.
6. Qual foi o projecto tecnicamente mais desafiante em que participaste?
Um dos projetos mais complexos em que participei foi a migração, a nível de grupo, de um sistema de identidade interno para o Auth0. A complexidade deveu-se ao facto de a identidade estar no centro de todas as jornadas de utilizador, aplicações e processos operacionais. Alterar este componente implicou, na prática, reestruturar uma parte significative do ecossistema tecnológico.
Não se tratou apenas de uma atualização técnica, mas de uma mudança estrutural na forma a identidade funciona entre várias marcas e sistemas, exigindo um trabalho profundo de arquitetura, uma gestão de mudança cuidada e uma forte colaboração entre equipas. O resultado foi uma base mais segura, uma melhor experiência para os developers e uma base escalável para futuras jornadas do cliente.
7. Que competência técnica ganhou mais relevância no teu trabalho desde que entraste no Tech Hub?
Destacaria o desgin de sistemas à escala, especialmente no contexto de arquiteturas distribuídas. Trabalhar com múltiplas marcas exige desenhar soluções reutilizáveis, gerir versionamento e compatibilidade, garantir resiliência entre vários sistemas independentes e implementar boas práticas de observabilidade. Além disso, a comunicação e o alinhamento entre equipas tornaram-se igualmente essenciais, uma vez que as decisões técnicas têm hoje impacto a nível de toda a organização.
8. O Tech Hub já está a explorar inteligência artifical generativa? Onde vês maior impacto?
Sim, já estamos a explorar aplicações concretas, com foco em áreas onde épossível gerar valor imediato e mensurável. A nossa abordagem passa sobretudo por desenvolvimento assistido - ou seja, utilizar a IA como suporte às pessoas, ajudando na tomada de decisão e na automatização de tarefas repetitivas. O objetivo é claro: libertar tempo para que as equipas se possam concentrar em problemas de maior impacto.
Uma das áreas onde já se observam benefícios mais evidentes é na engenharia, nomeadamente ao nívels da produtividade dos developers. A utilização de ferramentas de IA tem permitido gerar documentação, explicar código, automatizar workflows e apoiar análises técnicas. Ao reduzir o tempo gasto em tarefas mais repetitivas, as equipas conseguem dedicar mais tempo a desenhar, construir e inovar.
9. O Tech Hub de Coimbra começou com 14 pessoas e pretende crescer até 300. Quais são os planos para o futuro?
A visão a longo prazo vai além dos crescimento em número de pessoas. O objetivo passa por consolidar o Tech Hub como um verdadeiro centro de inovação, reforçando competências em áreas como Cloud, DevOps, Data Engineering e plataformas digitais, contribuindo ativamente para a evolução tecnológica das operações e produtos do grupo.
Ao mesmo tempo, pretende-se reforçar a ligação a universidades e comunidades tecnológicas, criando um ecossistema sólido de talento em Portugal e posicionando o Tech Hub como uma referência no mercado de trabalho, acompanhando crescimento dos profissionais desde o início de carreira até funções de liderança.
Por fim, o Tech Hub ambiciona assumir um papel cada vez mais relevante a nível de grupo, contribuindo para a definição de boas práticas, frameworks e bases tecnológicas comuns, reforçando a sua influência na evolução tecnológica a nível global.
