Categoria: Entrevistas

SINFO 2026: O que as melhores empresas tech recomendam aos juniores

SINFO 33: O que engenheiros de tech sabem que tu não sabes. Conselhos para júniores em IT e carreira em tecnologia.

A SINFO chegou à 33.ª edição e continua a ser o maior evento de tecnologia gratuito em Portugal, organizado por estudantes do IST. Desta vez estivemos entre 20 e 24 de abril no Técnico Innovation Center a falar com quem estava lá: engenheiros, investigadores, pessoas de produto, designers de jogos, gente da Google DeepMind, da NVIDIA, da Apple, da Riot Games, da Hugging Face. O objetivo era simples - perceber o que é que estas pessoas sabem que a maioria ainda desconhece.

Participantes:

1. Teamlyzer: Há algo que aprendeste nos primeiros anos de trabalho em IT que gostavas de ter aprendido durante a faculdade?

Nuno Gonçalves (SingleStore): Eu sinto que a faculdade foca-se bastante nos fundamentos das diversas áreas que, apesar de serem essenciais para a formação de um bom engenheiro, quando entramos no mercado de trabalho, temos de nos adaptar não só a novas tecnologias e frameworks, como também aos diversos processos de desenvolvimento de software dentro de ma empresa.

Para além disso, diria que outro fator muito importante é o facto de, na faculdade, resolvermos problemas de um ponto de vista puramente técnico, enquanto que no mercado de trabalho temos de dar muito valor ao business model da empresa, entender o produto e garantir que as soluções que desenvolvemos fazem sentido tanto para o produto como para o negócio.

Francisco Veiga (Datadog): Há sem dúvida muitas coisas que tenho aprendido na Datadog desde que entrei em outubro. O que eu diria mais que não se aprende tanto na universidade são, por exemplo, os nomes das tecnologias que nós usamos. Por exemplo, na Datadog temos muitas tecnologias de sistemas distribuídos, de cloud, usamos muitas coisas como Kubernetes.

Temos bastantes conceitos que se calhar na universidade aprendemos na teoria, mas que realmente no trabalho pomos em prática e estamos mais por dentro, por exemplo com Kafka, etc., e aprendemos mais os nomes dessas, dessas ferramentas que na universidade só aprendemos os conceitos na teoria.

2. Teamlyzer: Há alguma ideia sobre a área de tech que esteja completamente errada e que te canses de ouvir?

Filipe Silva (SingleStore): O que me surpreendeu foi o quão mais importante são as people skills do que o que se imagina.

Teamlyzer: As soft skills?

Filipe Silva (SingleStore): As soft skills, sim. Porque, e não digo só necessariamente no trabalho, porque isso é algo que nós vamos aprendendo mesmo com os trabalhos de grupo e tudo mais, mas mesmo saber, no geral, conseguir falar com pessoas, conseguir expor as nossas ideias de uma forma produtiva, conseguir ter essa comunicação com as pessoas é algo que sinto que muitas pessoas não valorizam, ou muitos... não necessariamente os alunos, mas não é valorizado sequer o suficiente.

E é muito importante para conseguir trabalhar numa empresa, porque depois não importa o quão bons nós somos, se nós não conseguimos partilhar as nossas ideias e ter uma discussão produtiva, não vamos conseguir fazer grande coisa. Portanto, acho que isso é um ponto importante.

Francisco Veiga (Datadog): Acho que claramente o tema no momento é AI, a inteligência artificial, e há muita ideia de que o mercado júnior principalmente, ou até todo o mercado, poderá ser afetado por isto e poderão deixar de haver tantas oportunidades.

E eu acho que, pelo menos neste momento claro, o futuro não podemos falar sobre isso, mas no presente, eu acho que as vagas até estão a aumentar, porque neste momento é só uma ferramenta de produtividade para os engenheiros.

E um exemplo é na Datadog, e temos aqui estas vagas de júnior que estão a abrir no escritório de Lisboa e que os estudantes podem aproveitar.

3. Teamlyzer: Que conselho darias a alguém júnior que está a começar agora uma carreira em IT?

Nuno Gonçalves (SingleStore): Eu diria que a nossa área tem tido uma evolução rápida e constante nas últimas décadas e, como tal, se quisermos ter sucesso, temos de estar constantemente a aprender e a adaptarmo-nos a coisas novas; caso contrário, ficamos para trás. Diria que a nossa profissão resume-se a uma aprendizagem constante.

Então, um conselho que eu daria era mesmo tentarmos sair da zona de conforto, estarmos sempre a tentar aprender, não só dentro da nossa equipa, como também envolvermo-nos em projetos de outras equipas, e até mesmo fora da empresa. Acho que devemos manter sempre um espírito de curiosidade e tentar tornarmo-nos o mais completos possível.

E devemos também garantir que temos uma base sólida de fundamentos, que isso depois já é meio caminho andado para nos adaptarmos às tecnologias do momento.

Filipe Silva (SingleStore): Sim, faço as palavras do Nuno minhas. Acho que duas coisas são essenciais: uma é mantermo-nos curiosos ao longo do tempo. Portanto, ver não só a nível de ver o que é que outras equipas estão a fazer, mas aprender novas coisas, novas maneiras de fazer as coisas, não estarmos presos só ao que conhecemos. E ownership também. Diria que ownership é muito importante.

Quando vocês estão a trabalhar num projeto que seja uma coisa que vocês são os owners daquilo, percebem aquilo end-to-end e são o go-to expert daquilo,de qualquer coisa que vocês estejam a fazer, basicamente.

Não fazer só por fazer, não fazer só "ok, vou arranjar aqui uma função para isto funcionar". Não, perceber porque é que as coisas são assim, porque eu acho que isso é que nos faz crescer na carreira: é perceber os porquês e não o "quê".

Francisco Veiga (Datadog): Eu acho que é não ter medo de falar com pessoas, de ir a estes eventos, mandarem-se para várias vagas que gostam, e às vezes é preciso candidatar-nos a várias entrevistas e passar por vários processos, mas acho que é uma área muito competitiva, mas que é muito... pronto, dá frutos e compensa o esforço dos estudantes nestas entrevistas e acho que terão um bom futuro.

Teamlyzer: O conselho é não desistir.

Francisco Veiga (Datadog): Sim, exato, não desistir porque, lá está, o mercado muito competitivo tem muita gente neste momento. Penso que Engenharia Informática deverá ser o curso com mais gente em Portugal. Eu, por exemplo, fiz no Porto na FEUP e disseram-me na altura que era o curso de engenharia com mais gente - entrámos cerca de 350. E é verdade que, sendo júnior, é difícil ter... e vagas júnior não são todas, não é?

É só uma parte pequena, mas acho que, a partir do momento em que ganhamos alguma tração, conseguimos um estágio, conseguimos um primeiro trabalho, não há qualquer limitação para termos um grande futuro e aprendermos aí.

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