Sky Portugal: 500 pessoas, 3 escritórios e tech para milhões de espectadores
Fica a saber como a equipa mobile da SKY constrói plataformas de streaming globais para milhões, com inovação em diretos, IA e experiências interativas.
A partir de Portugal, as equipas responsáveis pelo desenvolvimento das aplicações móveis das plataformas de streaming do grupo Sky e NBCUniversal criam e melhoram continuamente aplicações usadas diariamente por milhões de pessoas em todo o mundo.
Diego Valente lidera esta área da Sky Portugal, com impacto direto em serviços de streaming como Peacock, SkyShowtime e NOW/WOW. Falámos sobre como se constrói uma plataforma global que milhões de clientes utilizam para acompanhar eventos em direto, descobrir conteúdos e viver experiências interativas e personalizadas em tempo real.
1. A Sky Portugal é hoje um dos grandes hubs tecnológicos e de inovação do grupo Sky e da NBCUniversal. Qual é, na prática, o papel da equipa mobile?
Ao longo de mais de uma década, a Sky Portugal consolidou-se como um centro de excelência em streaming no universo da Sky e da NBCUniversal. Somos cerca de 500 no total, distribuídos pelos nossos três escritórios em Lisboa, Aveiro e no Funchal, e as equipas mobile trabalham em três grandes plataformas globais: Peacock nos Estados Unidos e o SkyShowtime, assim como NOW/WOW em vários mercados da Europa.
A partir de Portugal, desenvolvemos e mantemos aplicações nativas para iOS e Android que atendem a elevadas exigências de escala. Falamos de milhões de utilizadores ativos, de diferentes contextos de rede, de múltiplos dispositivos e de picos de utilização associados a grandes eventos em direto.
Nesta dimensão, engenharia não é apenas desenvolver funcionalidades. É garantir arranques rápidos, latência reduzida, estabilidade consistente e taxas de falha controladas ao detalhe. O utilizador pode não ver a arquitetura, mas sente imediatamente se algo falhar. O nosso trabalho é garantir que isso não acontece.
2. Um dos momentos mais visíveis foi a estreia da NBA no Peacock. O que esteve por trás desse lançamento?
Eventos em direto são o teste máximo de qualquer plataforma de streaming. No arranque da NBA no Peacock, ligaram-se à transmissão milhões de espectadores simultaneamente. Isto coloca pressão não só na infraestrutura de servidores, mas também na camada das aplicações móveis, onde a experiência tem de ser fluida e intuitiva.
Foi essencial garantir que o vídeo arrancava rapidamente, que a transição entre destaques e transmissão em direto era praticamente instantânea e que a sincronização com dados em tempo real não afetava o desempenho. A nova funcionalidade que lançámos, "Can't Miss Highlights", permite rever os melhores momentos e entrar no jogo em direto com um único toque. Por trás dessa "simples" interação, existe integração com serviços de recorte de vídeo e de dados em tempo real, garantindo que a experiência no dispositivo se mantém rápida e consistente, mesmo em momentos de pico.
E claro, antes do lançamento, realizámos testes de carga extensivos, validações em múltiplos modelos de equipamentos e simulações de cenários de pico. Quando se trabalha com audiências desta dimensão, a preparação é um fator determinante.
3. Nos últimos anos, a equipa lançou funcionalidades diferenciadoras, como vídeo vertical, minijogos e experiências baseadas em inteligência artificial. O que representam estes projetos do ponto de vista técnico?
Inovar dentro de uma aplicação de streaming implica trabalhar sobre uma base que já é altamente exigente. O vídeo em formato vertical, por exemplo, exigiu a criação de um fluxo contínuo otimizado para uma navegação natural no telemóvel, com pré-carregamento inteligente de conteúdos, gestão eficiente de memória e transições suaves entre vídeos curtos e transmissões mais longas. Tudo isto sem comprometer o desempenho global da aplicação.
A integração de minijogos diretamente na aplicação trouxe outro tipo de desafio. Estes jogos estão associados a conteúdos e eventos da nossa plataforma e funcionam dentro da própria aplicação, sem instalações adicionais. E por isso, foi essencial garantir que essa camada interativa não competia por recursos com a transmissão de vídeo, especialmente em equipamentos de gama média.
Um dos projetos mais emblemáticos foi o lançamento do "Courtside Live", uma experiência interativa para a NBA que transforma o modo como o utilizador acompanha um jogo em direto. Em vez de assistir passivamente, o utilizador pode alternar entre diferentes ângulos de câmara, aceder a destaques em tempo real e navegar pelos momentos-chave enquanto o jogo decorre.
Do ponto de vista técnico, isto exigiu uma coordenação muito precisa entre o leitor de vídeo, dados desportivos em tempo real e a camada de interface mobile, garantindo que a interação não introduzia latência nem comprometia a fluidez.
A experiência foi concebida de raiz, com foco em quem consome conteúdos no telemóvel, priorizando rapidez, clareza e maior controlo para o utilizador. E aqui, o desafio não foi apenas técnico; foi garantir que esta interatividade acrescentava valor real à experiência do fã, mantendo a utilização simples e intuitiva. A inovação só é possível porque existe uma base técnica sólida. Sem fiabilidade, não há espaço para experimentar.
4. Como conseguem servir tantos mercados diferentes a partir de uma base comum?
A arquitetura é o elemento central. Em vez de manter aplicações totalmente distintas para cada mercado, desenvolvemos um núcleo tecnológico comum que suporta todas as plataformas. A partir daí, utilizamos configurações dinâmicas e mecanismos de ativação e/ou desativação de funcionalidades consoante o país.
Isto permite adaptar idioma, catálogo, métodos de pagamento ou funcionalidades específicas sem fragmentar o código. Ao mesmo tempo, possibilita lançar novas capacidades de forma coordenada a nível global.
Para sustentar esta abordagem, investimos fortemente em automatização de testes, integração e entrega contínua e monitorização detalhada. Acompanhamos métricas como tempo de arranque, interrupções de vídeo, latência de interação e taxas de falha, segmentadas por versão da aplicação, tipo de dispositivo e mercado. Sem dados detalhados, escalar com confiança seria impossível.
Organizacionalmente, trabalhamos com equipas ágeis estruturadas por domínio funcional, como leitor de vídeo, descoberta de conteúdos ou subscrições. Cada equipa tem autonomia técnica, mas existe alinhamento claro quanto a prioridades, bem como ciclos regulares de lançamento.
5. O que encontra um engenheiro que se junta à Sky Portugal?
Encontra desafios técnicos reais e impacto global. Trabalhar em streaming à escala de Olimpíadas, NFL ou NBA significa operar em contextos em que a fiabilidade é crítica e a margem de erro é mínima.
Mas encontra também uma cultura de aprendizagem contínua. A indústria está a evoluir rapidamente, especialmente com a integração de inteligência artificial para a personalização, a geração de conteúdos e a otimização interna de processos. Incentivamos a experimentação responsável, decisões baseadas em dados e um foco constante na experiência do utilizador.
Procuramos engenheiros com bases sólidas, pensamento estruturado e atenção à escalabilidade e resiliência. Estamos a construir o futuro do streaming a partir de Portugal e isso exige ambição, rigor e muita curiosidade técnica. Para quem procura desafios à escala global e quer construir tecnologia usada por milhões, o próximo capítulo pode começar aqui!
