Categoria: Entrevistas

Catawiki aposta em em inovação logística. A contratar engenheiros IT em Portugal

Vinicius Vieira, engineering manager na Catawiki Lisboa, revela como funciona o hub de tech com 140+ colaboradores e o que esperar da cultura de engenharia.

Fundada em 2008 na Holanda por um coleccionador de banda desenhada e um developer, a Catawiki cresceu até se tornar a maior plataforma europeia de leilões curados para objectos especiais: arte, joalharia, carros clássicos e relógios. O segredo? Cada lote é revisto por mais de 240 especialistas internos antes de ir a leilão.

Em Fevereiro de 2024, a Catawiki abriu um escritório em Lisboa. A equipa de tech, engenharia, produto, UX e dados, conta hoje com mais de 140 colaboradores em Portugal. O Vinicius tem 20 anos de carreira em tecnologia, os últimos seis como engineering manager, e está em Portugal há três anos e meio. Falámos com ele sobre o que o trouxe até à Catawiki, o que a equipa de Lisboa está a construir, e o que podem esperar os engenheiros que pensem em juntar-se à Catawiki em Lisboa.

#1. O Vini, diminutivo pelo qual gosta de ser chamado, tem 20 anos de carreira em tecnologia e saiu do Brasil para viver em Portugal há três anos e meio. Desde as primeiras conversas com a Catawiki, o que o fez sentir que a empresa era o passo certo na carreira?

Percebi logo nas primeiras conversas que a Catawiki funcionava de uma forma diferente do que eu estava habituado. Havia uma preocupação genuína com as pessoas, não era só discurso. As equipas trabalham com um sentido de responsabilidade partilhada que se nota na forma como falam umas com as outras, na forma como resolvem problemas em conjunto. Senti que existia confiança real entre as pessoas e uma abertura para discutir ideias de forma directa e transparente.

Para alguém como eu, que valoriza muito a componente humana do trabalho, isso fez toda a diferença. E depois havia o factor Lisboa: a possibilidade de contribuir para algo que está a ser construído de raiz, com impacto visível, num hub que está a crescer. Juntando as duas coisas, a cultura da empresa e o momento do hub, pareceu-me a decisão certa.

#2. Antes de se tornar engineering manager, o Vini era um engenheiro que resolvia problemas de forma individual. Que influência teve o manager que encontrou no Brasil na forma como lidera equipas hoje?

Durante anos o que me dava mais satisfação era resolver problemas técnicos sozinho. Estava confortável nesse papel e não pensava em liderar pessoas. Isso mudou quando trabalhei com um manager no Brasil que liderava de uma forma muito humana, com genuína atenção ao que cada pessoa da equipa estava a sentir e a precisar. Foi ao observar isso de perto que percebi que ajudar os outros a crescer podia ser tão gratificante como resolver um problema de código.

Hoje, a forma como lidero vem muito dessa influência. Ouvir, compreender perspectivas diferentes e abrir horizontes profissionais que as pessoas à minha volta talvez ainda não tenham considerado. É isso que me motiva no dia-a-dia como engineering manager.

#3. A Catawiki é um marketplace europeu de objectos especiais com equipas em Amesterdão e, desde Fevereiro de 2024, em Lisboa. Como explicaria o que a empresa faz a um developer que desconheça a plataforma?

A Catawiki é uma plataforma de leilões online focada em objectos especiais: arte, joalharia, relógios, carros clássicos, entre outros. O que a distingue de outros marketplaces é que cada lote passa por uma revisão feita por especialistas internos antes de ser publicado. Temos mais de 240 especialistas dedicados a isso. Ou seja, não é um marketplace aberto onde qualquer pessoa coloca qualquer coisa à venda. Existe uma curadoria real por trás de cada leilão.

A empresa nasceu na Holanda em 2008, fundada por um coleccionador de banda desenhada e um developer, e cresceu até se tornar a maior plataforma europeia neste segmento. Do lado da tecnologia, temos equipas a trabalhar em produto, engenharia, dados e UX, tanto em Amesterdão como agora em Lisboa, onde já somos mais de 140 pessoas na área de tech.

#4. O hub de Lisboa da Catawiki conta com mais de 140 colaboradores em tech, engenharia, produto, UX e dados, e trabalha em articulação com a equipa de Amesterdão. Como se mantém o alinhamento entre as duas equipas no dia-a-dia?

Desde o início houve uma intenção clara de manter as equipas de Lisboa e Amesterdão totalmente ligadas. Trabalhamos com colegas de vários países europeus, e a colaboração com Amesterdão é constante. O objectivo nunca foi criar um escritório satélite que funciona à parte. O que estamos a construir em Lisboa tem ownership real, as equipas aqui têm responsabilidade directa sobre os seus domínios, mas ao mesmo tempo há uma ligação forte com o que se faz em Amesterdão. Isso funciona porque a cultura da empresa assenta numa comunicação informal e aberta.

As pessoas falam umas com as outras sem barreiras, independentemente de onde estejam. É esse equilíbrio entre ter autonomia local e manter a conexão com a equipa central que permite ao hub de Lisboa crescer sem perder coerência.

#5. O Vini lidera uma equipa cross-funcional com engenheiros de backend, frontend, iOS e Android, todos focados em logística de e-commerce. Qual é a missão da equipa e que tipo de problemas estão a resolver?

A missão da equipa é melhorar a experiência de logística para os compradores. Na prática, isso significa garantir que quem compra um objecto na Catawiki consegue acompanhar o percurso da encomenda com total visibilidade sobre o que está a acontecer em cada etapa. Parece simples quando se diz assim, mas logística em e-commerce é um desafio complexo. Estamos a falar de uma plataforma com leilões de objectos especiais, onde cada compra tem as suas particularidades.

Tornar essa experiência coerente e fiável, tanto na web como nas aplicações móveis, é o tipo de problema que estamos a atacar. Somos uma equipa pequena, mas já estamos a fazer progressos concretos. Avançamos passo a passo, e cada melhoria que fazemos traduz-se numa experiência mais clara para quem compra.

#6. Na Catawiki, os engenheiros evoluem de executar tarefas para moldar soluções e desafiar pressupostos. Que autonomia tem um engenheiro para influenciar decisões de produto dentro da equipa?

Uma das coisas que mais me agrada na Catawiki é que os engenheiros têm espaço real para ir além da execução técnica. As pessoas chegam, começam a entregar, e rapidamente passam a envolver-se na definição do que deve ser feito e porquê. Há um incentivo claro para que os engenheiros conversem com stakeholders, questionem os pressupostos por trás dos pedidos e proponham abordagens alternativas.

A empresa confia nas suas equipas para tomar decisões, e isso faz com que as pessoas cresçam depressa. Com o tempo, os engenheiros ganham uma visão cada vez mais forte sobre o produto, porque o ambiente pede esse envolvimento. Em vez de receber uma lista de tarefas e executar, participam activamente na forma como o produto evolui. Essa confiança e essa autonomia fazem uma diferença enorme no ritmo a que as pessoas se desenvolvem profissionalmente.

#7. A Catawiki tem uma cultura forte de experimentação onde as equipas lançam testes A/B com regularidade e param experiências rapidamente quando os dados ficam aquém do esperado. Como funciona na prática o ciclo de lançar, medir e decidir se um teste continua ou é interrompido?

A experimentação é uma parte central da forma como trabalhamos na Catawiki. As equipas lançam testes A/B com frequência e encaram cada experiência como uma oportunidade de aprender, independentemente do resultado. O que me impressiona é a maturidade com que as pessoas lidam com testes que correm mal. Há uma mentalidade muito enraizada de aprender depressa com os erros e seguir em frente. Quando os resultados de uma experiência ficam abaixo do esperado, as equipas sentem-se confortáveis a parar o teste sem arrastar a decisão.

Isso é importante porque evita perder tempo com algo que os dados já mostraram que não funciona. Nem todas as empresas conseguem manter este ritmo de experimentação com a naturalidade que existe aqui. É esse ciclo constante de testar, medir e ajustar que permite às equipas avançarem com segurança e tomarem decisões apoiadas em dados reais.

#8. O Vini destaca que, na Catawiki, quando algo corre mal as equipas resolvem os problemas em conjunto. Como funciona a colaboração entre equipas quando surge um incidente ou um bug em produção?

Uma coisa que valorizo muito na Catawiki é que quando surge um problema em produção, a reacção natural das pessoas é juntarem-se para resolver. Existe uma cultura real de colaboração nesses momentos. Isso funciona porque na Catawiki há uma mentalidade forte de engenharia partilhada por toda a organização. As pessoas têm uma compreensão sólida de como os sistemas funcionam no seu conjunto, o que lhes permite colaborar para lá do seu domínio imediato.

Essa base técnica comum é o que torna possível juntar pessoas de equipas diferentes e resolver um problema de forma coordenada. Para mim, é uma das coisas que melhor reflecte a cultura de engenharia da empresa.

#9. O Vini diz que estão a construir em Lisboa cultura e alinhamento desde o primeiro dia. Como se constrói cultura de equipa num hub que está a crescer com dezenas de novos funcionários todos os anos?

Construir cultura num hub que está a crescer é um dos aspectos mais desafiantes e ao mesmo tempo mais entusiasmantes do que estamos a fazer em Lisboa. Desde o início, houve uma intenção clara de que o hub tivesse uma identidade própria, mas sem se desligar da cultura que já existia na Catawiki. Na prática, isso significa que cada pessoa que entra encontra um ambiente descontraído onde as equipas trabalham bem em conjunto e onde cada pessoa pode ser genuína sem que isso entre em conflito com a exigência do trabalho.

Estamos a construir algo visível, com equipas que têm ownership real sobre os seus domínios, e isso atrai pessoas que querem ter impacto. O facto de estarmos num momento de crescimento torna tudo mais intenso, mas também mais recompensador. Poder participar na construção de algo desde o início, com este nível de responsabilidade, é o tipo de momento profissional que marca uma carreira.

#10. Lisboa tem um ecossistema tech internacional que atrai talento de vários países. Que conselho daria a um developer que está a avaliar uma mudança para trabalhar numa empresa como a Catawiki em Lisboa?

O primeiro conselho que dou é olhar para o momento em que o hub se encontra. Entrar numa equipa que está a ser construída de raiz, com impacto directo nos produtos e com ownership real sobre o trabalho, é algo que acelera muito o crescimento profissional. Em Lisboa, isso junta-se a um ecossistema tech que se tornou verdadeiramente internacional. A cidade tem pessoas de origens muito diferentes a trabalhar em tecnologia, e isso cria um ambiente de trabalho onde se aprende constantemente com perspectivas que não são as nossas.

Há também uma qualidade de vida que pesa na decisão de quem vem para cá, e que acaba por influenciar de forma positiva a energia de toda a comunidade tech local. Na Catawiki em particular, o que posso dizer é que existe um equilíbrio saudável entre a ambição dos projectos e o respeito pelo bem-estar de quem os constrói. As equipas sabem o que se espera delas, trabalham de forma colaborativa, e há espaço para crescer na carreira sem que o trabalho consuma tudo o resto. Para quem está a ponderar uma mudança, diria que vale a pena explorar a oportunidade.

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