Tech Skills vs. Soft Skills: o que a Smart Consulting procura num consultor
O que pesa mais num júnior: competências técnicas ou atitude? Guia real para entrar na consultoria IT.
A Smart Consulting é uma empresa tecnológica portuguesa com mais de 16 anos de mercado. Com escritórios em Lisboa e no Porto e cerca de 300 profissionais, opera sobretudo em modelos de alocação de equipas a clientes: Team Extension, Team-as-a-Service (TaaS), Managed Services, Nearshore e Custom Software Development. Os sectores onde os seus consultores mais trabalham incluem a banca, seguros, telecomunicações e retalho, num total de mais de 65 clientes.
Para quem está a dar os primeiros passos em tecnologia, consultoras como a Smart funcionam muitas vezes como porta de entrada no mercado. É ali que muitos juniores têm o primeiro contacto com projectos reais de enterprise, aprendem a integrar-se em equipas que não conhecem e descobrem que saber programar é apenas uma parte do trabalho.
A empresa disponibiliza formação através da Coursera e de sessões internas (as Smart Sessions, onde colegas partilham conhecimento entre si) e tem um programa de mentoria que junta perfis juniores a profissionais mais experientes.
O tema de hoje é precisamente esse: quando se contrata um consultor em início de carreira, o que conta mais? O domínio técnico ou as competências humanas? Para responder, conversamos com Nuno Rodrigues, Business Unit Manager da Smart Consulting.
1. A Smart Consulting recruta muitos profissionais em início de carreira. Qual é a competência que mais falta a quem sai da universidade e entra no mundo da consultoria?
Muitos profissionais chegam com uma boa base técnica, mas a competência que normalmente mais falta é o contexto de negócio. Na universidade, aprende-se a resolver problemas bem definidos; no mundo da consultoria, o desafio é perceber primeiro qual é realmente o problema do cliente. Isso exige curiosidade, capacidade de fazer perguntas certas e vontade de compreender o impacto do que se está a desenvolver. Quando um júnior começa a pensar para além do trabalho técnico e percebe como o seu contributo influencia o negócio do cliente, dá um salto enorme na sua evolução.
2. Quando avaliam um candidato júnior, o que pesa mais: o que ele já sabe tecnicamente ou a forma como reage ao que ainda não sabe?
Sem dúvida, a forma como reage ao que ainda não sabe. Em tecnologia, ninguém sabe tudo, e o ritmo de mudança é tão rápido que o mais importante é a capacidade de aprender continuamente. Valorizamos candidatos que demonstrem curiosidade, humildade para reconhecer lacunas e iniciativa para procurar soluções. A base técnica é importante, mas a atitude perante o desconhecido é muitas vezes o que define o potencial de crescimento.
3. Há uma diferença grande entre programar num contexto académico e trabalhar num projecto real com um cliente a acompanhar. Como se faz a ponte entre essas duas realidades?
A ponte faz-se sobretudo através de mentoria, colaboração e exposição gradual a projetos reais. Nos primeiros projetos, o júnior aprende rapidamente que as competências técnicas são apenas uma parte do trabalho: há prazos, prioridades, equipas multidisciplinares e expectativas do cliente. Trabalhar lado a lado com consultores mais experientes ajuda a transformar conhecimento académico em soluções práticas. É um processo de aprendizagem muito acelerado e também muito motivador.
4. Nos modelos de Team Extension e TaaS (Team-as-a-Service), o consultor integra-se directamente na equipa do cliente. Como é que um júnior sem experiência prévia se prepara para essa realidade?
O mais importante é desenvolver capacidade de integração e comunicação. Num modelo de Team Extension ou TaaS, o consultor precisa de perceber rapidamente a dinâmica da equipa, as ferramentas utilizadas e a cultura de trabalho do cliente. Para um júnior, isso significa estar disponível para ouvir, aprender e adaptar-se rapidamente. Pequenos gestos, como fazer perguntas claras, partilhar progresso e pedir feedback, fazem toda a diferença na forma como se integra na equipa.
5. A adaptabilidade é um dos valores da Smart Consulting. Para um júnior no primeiro projecto, isso traduz-se em quê?
Na prática, traduz-se em estar confortável com a mudança. Num projeto, pode estar a aprender uma nova tecnologia; noutro, a trabalhar num domínio de negócio diferente ou com uma equipa internacional. Para um júnior, adaptabilidade significa manter uma atitude aberta, aceitar desafios fora da zona de conforto e encarar cada projeto como uma oportunidade de aprendizagem.
6. Que tipo de erro é mais comum nos primeiros meses de um consultor júnior, e como é que a Smart o ajuda a ultrapassar?
Um erro muito comum é tentar resolver tudo sozinho durante demasiado tempo. Muitos juniores querem provar que são capazes e acabam por demorar mais do que seria necessário. Na Smart, incentivamos exatamente o contrário: comunicação e partilha. Criamos um ambiente em que pedir ajuda é visto como parte natural do processo de aprendizagem. Com o apoio da equipa e de mentores, os consultores conseguem evoluir mais rapidamente e com mais confiança.
7. Num dia normal de trabalho, que situações obrigam um consultor júnior a usar mais soft skills do que conhecimento técnico?
Acontece mais vezes do que se imagina. Explicar uma solução numa reunião, alinhar prioridades com colegas, clarificar requisitos com o cliente ou até gerir expectativas perante imprevistos são momentos em que as soft skills fazem toda a diferença. Saber comunicar de forma clara, ouvir ativamente e trabalhar em equipa é muitas vezes tão importante como desenvolver boas soluções técnicas.
8. Quando pensam nos consultores que mais evoluíram dentro da Smart, que traço comum tinham logo no início?
Se tivermos de destacar um traço, diríamos proatividade. Os consultores que mais crescem são aqueles que não esperam apenas instruções: procuram entender melhor o projeto, sugerem melhorias e estão sempre à procura de aprender algo novo. Essa atitude cria oportunidades de crescimento e acelera o desenvolvimento profissional.
9. Com a inteligência artificial a mudar o tipo de tarefas que se pedem a um developer, que competências aconselham um júnior a trabalhar desde já?
A inteligência artificial está a transformar a forma como desenvolvemos soluções de IT, mas não substitui competências fundamentais. Por isso, recomendamos que os juniores invistam em pensamento crítico, capacidade de resolução de problemas e compreensão profunda de arquitetura e lógica de sistemas. Saber utilizar ferramentas de IA como apoio ao desenvolvimento é uma vantagem, mas compreender o "porquê" por trás das soluções continua a ser essencial.
10. Um developer júnior que nos está a ler e quer preparar-se para o mercado de consultoria: por onde deveria começar hoje, para além de estudar código?
Para além do código, vale a pena investir em três áreas. Primeiro, comunicação: saber explicar ideias de forma clara é uma competência muito valorizada. Segundo, trabalho colaborativo, participando em projetos de equipa ou comunidades tecnológicas. E terceiro, curiosidade pelo negócio, tentando perceber como a tecnologia resolve problemas reais. Quem combina estas três dimensões chega ao mercado muito mais preparado e com muito mais impacto desde o primeiro projeto.
