Inscale: uma empresa onde as carreiras tech se constroem dentro do cliente
Hugo Abreu, da Inscale, explica como funciona o insourcing em Portugal: recrutamento, integração no cliente e progressão de carreira.
A Inscale é uma empresa de insourcing que opera em Portugal desde 2018, com cerca de 180 pessoas localmente e mais de 725 a nível global. O modelo Build, Operate and Transfer cria equipas dedicadas que trabalham totalmente integradas com os clientes, não como consultores temporários, mas como parte da operação.
Isto altera a dinâmica habitual da consultoria: em vez de projetos de curta duração e rotação constante, existe continuidade e sentido de pertença. Para perceber como funciona o insourcing na prática, falámos com Hugo Abreu, Delivery Manager na Inscale.
1. O que é o insourcing e como é que o modelo Build, Operate and Transfer difere da consultoria tradicional?
Na INSCALE não operamos como as empresas de consultoria tradicionais. O nosso negócio principal é o insourcing ou, posto de forma simples, ajudamos empresas estrangeiras a criar centros tecnológicos em Portugal. O cliente está envolvido no processo de recrutamento, uma vez que os candidatos são contratados para serem membros integrantes da organização do cliente. Consequentemente, as avaliações de desempenho e os ajustes salariais são decididos pela gestão do cliente. Isto minimiza a rotatividade e garante estabilidade a longo prazo, já que todos são contratados tendo em conta as necessidades específicas de cada cliente.
2. Se um programador se candidatar hoje, qual é o percurso? Como funciona desde a fase de entrevista até à integração plena com o cliente?
O processo de recrutamento na INSCALE é muito transparente, rápido e fluido para todos os envolvidos. Todas as candidaturas que recebemos são triadas pela nossa equipa de Talent Acquisition, e eu também dou orientação técnica sobre o potencial dos candidatos, quando necessário.
Se o perfil se adequar ao que procuramos, a primeira entrevista é conduzida por alguém da equipa de Talent Acquisition. Correndo bem, eu próprio realizo uma segunda avaliação, onde procuro perceber se os candidatos correspondem às expectativas do cliente, esclarecendo também eventuais dúvidas que possam ter sobre a função, as responsabilidades e a cultura de trabalho. Este processo interno demora habitualmente uma semana ou menos.
Quando considero que os candidatos são adequados para o desafio, contacto sempre o hiring manager do lado do cliente para destacar os pontos fortes de cada candidato e as suas áreas de desenvolvimento dentro da função. Isto permite-lhes realizar uma última ronda de entrevistas, sabendo à partida quais as áreas de competência que precisam de ser melhor avaliadas.
Na INSCALE damos sempre feedback aos candidatos, seja positivo ou negativo. Ninguém é ignorado durante o nosso processo de recrutamento.
3. Como é o dia-a-dia de alguém integrado num cliente? A quem reporta, que reuniões frequenta e que acesso tem aos processos internos?
Embora todos sejam contratados ao abrigo de um contrato com a INSCALE, os programadores ficam inteiramente integrados na organização do cliente.
Enquanto membro da equipa de pleno direito, a pessoa estará totalmente inserida na cultura de trabalho do cliente. Participa nas mesmas reuniões que os colaboradores internos, é avaliada da mesma forma e tem a sua compensação alinhada com a dos colegas. A Core Team da INSCALE está constantemente disponível para prestar apoio, mas o dia-a-dia é sempre vivido como membro interno da equipa do cliente.
4. Como funciona a progressão de carreira? Se alguém quiser passar de Mid a Senior ou a Tech Lead, como é que isso acontece?
Temos vários casos de sucesso de programadores que alcançaram uma progressão de carreira justa e gratificante dentro do cliente para o qual foram contratados. Priorizamos parcerias como a que mantemos com um dos clientes dinamarqueses com quem tenho a oportunidade de trabalhar diretamente. Na STARK, vejo uma iniciativa constante de promover colaboradores internos quando surge uma oportunidade sénior, em vez de recrutar pessoas seniores externamente. Isto motiva os membros da equipa a permanecerem na empresa e a retribuírem, formando os colegas mais juniores e preparando-os para darem o próximo passo nas suas carreiras.
Na INSCALE também defendemos, monitorizamos e apoiamos esta mentalidade. Para além disto, disponibilizamos sessões de formação e cursos em áreas identificadas com cada cliente, de modo a garantir que todos os membros das suas equipas têm as ferramentas necessárias para crescer dentro da organização.
5. Como é que avaliam a adequação entre programador e cliente antes da integração? Que fatores contam para além das competências técnicas?
As competências técnicas fazem definitivamente parte da avaliação, embora cada cliente tenha as suas próprias expectativas, que precisamos de analisar caso a caso. Quando entrevisto programadores juniores e de nível intermédio, tendo a avaliar a sua vontade de continuar a aprender, o seu potencial de crescimento nas tecnologias principais utilizadas pelas equipas do cliente e a sua motivação para fazer mentoria e receber mentoria. Quando avalio perfis seniores, como tenho feito com a JYSK, foco-me mais no pensamento crítico, na proatividade em defender as suas ideias e na motivação para participar ativamente em discussões com os colegas.
Há outros aspetos importantes que preciso de assegurar, como a mentalidade colaborativa e a capacidade de comunicar as suas ideias em inglês, uma vez que esta é a língua principal de trabalho. Para cada função e para cada equipa, o cliente pode ainda ter características específicas que preciso de ter em conta.
6. Que autonomia tem um programador integrado? Pode propor melhorias de arquitetura ou contestar decisões técnicas?
Sem dúvida. Tanto a INSCALE como os clientes com quem trabalho valorizam a proatividade e a inovação.
Nas minhas entrevistas, costumo explorar com os candidatos as conquistas de que mais se orgulham, as suas opiniões sobre funcionalidades que desenvolveram em funções anteriores e a sua motivação para integrar uma equipa com espírito proativo e opinião própria. Estas características são também muito valorizadas pelos clientes com quem trabalho, que procuram pessoas que gostem de dar forma às funcionalidades que constroem.
7. Quando há um desalinhamento entre o que o programador quer fazer e o que o cliente precisa, como é que isso é gerido?
As pessoas que contratamos para os clientes são selecionadas com uma compreensão clara das tarefas que vão desempenhar, das ferramentas que vão utilizar no dia-a-dia e dos gestores a quem vão reportar.
Se surgir uma situação dessas, a INSCALE pode intervir mediando ambas as partes para ajudar a perceber como o conflito pode ser resolvido. Fazemo-lo através de diálogo aberto e mediação ativa: eu ou outro Delivery Manager trabalhamos de perto com ambos os lados para alinhar as aspirações de carreira do programador com os objetivos de negócio do cliente, garantindo uma parceria sustentável e mutuamente benéfica.
8. O que acontece quando há alterações do lado do cliente, como redução de equipa ou mudança de prioridades?
Na INSCALE priorizamos a estabilidade a longo prazo e a transparência, uma vez que as pessoas contratadas pelos nossos clientes são escolhidas para permanecerem. Não operamos como uma empresa de consultoria tradicional, onde os programadores mudam frequentemente de equipa ou de projeto.
Contudo, caso um cliente enfrente uma redução de equipa, agimos de imediato para apoiar os nossos programadores. Em primeiro lugar, mantemos uma comunicação aberta para garantir que todos ficam informados da situação o mais cedo possível. Podemos propor ao programador que participe num processo de recrutamento para uma posição que tenhamos em aberto nessa altura, e apoiamo-lo ao longo desse processo. No entanto, o programador tem de confirmar o seu interesse em participar.
9. Relativamente à parte de "Transfer": há um momento em que o programador passa de um contrato convosco para um contrato direto com o cliente? Como e quando é que isso acontece? É automático ou há espaço para escolha?
Os nossos clientes têm a possibilidade de internalizar os nossos programadores. Contudo, pela minha experiência, dado o valor acrescentado que a INSCALE traz ao recrutamento e ao apoio contínuo às equipas e ao negócio, os nossos clientes atuais preferem manter o modelo de negócio que lhes propusemos inicialmente. Caso venha a acontecer, tanto o cliente como o programador têm de estar de acordo com a mudança.
10. Para que perfis é este modelo mais indicado? E quem poderá não ser a melhor escolha?
Este modelo é mais indicado para programadores que valorizam a estabilidade de um projeto a longo prazo, combinada com o apoio contínuo e a comunidade da INSCALE. Se valorizam oportunidades de crescimento, uma cultura baseada no reconhecimento enquanto fazem parte de equipas internacionais, e trabalhar em projetos exigentes onde a sua proatividade e pensamento crítico são valorizados, tenho a certeza de que encontrarão desafios muito interessantes nas posições que temos atualmente em aberto.
