Categoria: Entrevistas

Mercedes-Benz.io: como a engenharia de dados está a moldar o futuro da tecnologia e das pessoas

Mercedes-Benz.io cresce em Lisboa e Braga e reforça engenharia de dados e IA com impacto global nas plataformas digitais da marca.

Na Mercedes-Benz.io, a missão é impulsionar e construir as soluções digitais da Mercedes-Benz, desde o website global, à plataforma de e-commerce, os serviços digitais e as soluções de pós venda. Quando alguém configura um carro no site da Mercedes em qualquer parte do mundo, há código escrito em Lisboa e Braga por trás.

A operação portuguesa começou em 2017. Hoje têm escritórios em Lisboa e Braga e trabalham directamente com as equipas na Alemanha. O trabalho é híbrido, as equipas são multidisciplinares e o inglês é a língua de trabalho.

Com as suas plataformas a servir milhões de utilizadores, a engenharia de dados é central. Os dados processados alimentam decisões de produto, operações comerciais e a experiência de quem compra ou usa um Mercedes-Benz.

Para conhecermos melhor como estão a construir esta área em Portugal, fomos falar com Silvia Bechmann, CEO da Mercedes-Benz.io Portugal, sobre engenharia de dados, inteligência artificial e como desenvolvem talento técnico numa empresa onde o produto final é usado à escala global.

1. A Mercedes-Benz.io tem vindo a expandir significativamente a sua presença em Portugal. Como está a correr o crescimento do tech hub em Lisboa e Braga, e o que é que torna Portugal um local estratégico para desenvolver as plataformas digitais da Mercedes Benz?

O crescimento dos hubs de Lisboa e Braga tem sido muito positivo. Temos conseguido atrair talento altamente qualificado, desde perfis mais juniores até especialistas com grande experiência internacional. Portugal tornou-se um local estratégico graças a uma combinação de fatores: a qualidade e o espírito inovador do ecossistema tecnológico, a diversidade de competências, uma cultura colaborativa e a proximidade com a Alemanha. Tudo isto facilita ciclos de desenvolvimento mais rápidos e integração fluida com as equipas globais. Hoje, os hubs de Lisboa e Braga já desempenham um papel central na construção de plataformas digitais críticas da Mercedes-Benz.

2. Quais considera serem as maiores mudanças que estão a acontecer atualmente na engenharia de dados, e o que está a motivar essas transformações?

A engenharia de dados está a sofrer uma transformação muito acelerada. A migração para arquiteturas cloud-native, a automação de pipelines, dados em tempo real e a integração nativa com machine learning estão a redefinir o significado e impacto da engenharia de dados. Outro motor importante é a necessidade de dados confiáveis e alinhados com a direção estratégica da Mercedes-Benz, que suportem decisões de negócio cada vez mais orientadas por analytics e IA.

3. Como tem evoluído o papel da engenharia de dados nos últimos anos numa empresa como a Mercedes-Benz.io?

Nos últimos anos, a engenharia de dados evoluiu de um papel puramente operacional e informativo para uma função estratégica. Hoje somos responsáveis não só por mover dados, mas por garantir qualidade, governance, escalabilidade e por desenvolver produtos digitais que dependem de dados confiáveis e estão alinhados com as preferências de utilização dos nossos clientes. Na Mercedes-Benz.io, isso traduz-se numa maior proximidade dos engenheiros de dados com o produto, participando desde a fase de design e desenvolvimento até às diferentes etapas de análise de dados.

4. A inteligência artificial está a transformar o panorama tecnológico. Como preparam os vossos profissionais para trabalharem com estas tecnologias e tirarem partido das mesmas?

Investimos muito no desenvolvimento pessoal e profissional dos nossos colaboradores: tanto através de formações internas especializadas, acesso a plataformas de learning, como através de comunidades internas e projetos práticos ligados a IA generativa, Machine Learning Ops e automação. Acreditamos que aprender fazendo é essencial, por isso criamos espaço para experimentação em ambientes seguros e promovemos a curiosidade e o tempo necessário para implementar novas formas de trabalho.

5. Com os dados e a IA a tornarem-se prioridades em várias indústrias, o que acha que distingue a Mercedes-Benz.io na forma como desenvolve e capacita talento nesta área?

O que nos distingue é a combinação entre uma cultura de autonomia, um forte foco em engenharia e o impacto direto nos produtos digitais da Mercedes-Benz. Trabalhamos problemas reais com escala global, num ambiente que promove partilha, e aprendizagem contínua orientada às competências técnicas e individuais de cada um dos nossos especialistas.

6. Quais são as tendências futuras na engenharia de dados com as quais acredita que a Mercedes-Benz.io está mais alinhada?

Estamos muito alinhados com tendências como plataformas lakehouse, pipelines orquestrados de ponta a ponta, dados em tempo real e Machine Learning Ops. Todas estas tendências são fundamentais para acelerar produtos digitais e IA generativa em larga escala.

7. Como é que a empresa ajuda os Data Engineers a manterem-se atualizados com as evoluções tecnológicas da área?

Disponibilizamos diversas iniciativas de aprendizagem para os nossos Data Engineers. Por exemplo, oferecemos um orçamento anual para conferências externas e formações, fomentamos comunidades técnicas dedicadas, organizamos sessões internas de tech talks, damos apoio para a obtenção de certificações, organizamos meetups e possibilitamos a partilha de conhecimento nos mesmos. Para além de tudo isto, ainda reservamos tempo para pesquisa e upskilling, juntamente com a organização de eventos internos que promovem a partilha e discussão de conhecimento em tópicos emergentes. A tecnologia evolui rápido, e na Mercedes-Benz.io incentivamos ativamente que os nossos Data Engineers evoluam com ela.

8. Como é que a Mercedes-Benz.io promove uma cultura de experimentação e aprendizagem contínua no que diz respeito a tecnologias e metodologias emergentes?

Temos uma cultura muito forte de experimentação e inovação. Isso vê-se em várias iniciativas: realizamos hackathons internos, desenvolvemos provas de conceito e criamos espaços dedicados à partilha entre equipas. Promovemos a ideia de testar rápido, aprender com os resultados e iterar, sempre com foco em entregar valor aos produtos digitais.

9. Quão central é a engenharia de dados para a missão e o desenvolvimento de produtos da Mercedes-Benz?

A engenharia de dados é absolutamente central para a visão digital da Mercedes-Benz. Quase todos os produtos digitais dependem de dados confiáveis - desde a página inicial do website e as aplicações de pós-venda, até à experiência dentro do automóvel e às plataformas empresariais internas. A qualidade e a disponibilidade desses dados tornaram-se um verdadeiro diferenciador competitivo para nós.

10. Que tipo de visibilidade, ou influência, tem a engenharia de dados nos processos de tomada de decisão, ou inovação, dentro da Mercedes-Benz.io?

As equipas de engenharia de dados têm ganho cada vez mais visibilidade nas decisões técnicas e de produto. Ajudamos a definir padrões, boas práticas e requisitos de qualidade, bem como a avaliar a viabilidade técnica de iniciativas baseadas em dados. O nosso trabalho influencia diretamente a inovação, sobretudo em áreas como inteligência artificial, automação e personalização.

11. Para profissionais que estejam a considerar juntar-se à vossa empresa nesta área, que competências ou mentalidades considera essenciais para ter sucesso durante o processo de recrutamento e crescer na empresa?

Valorizamos competências sólidas em engenharia de dados (Python, SQL, Pyspark). No entanto, é igualmente essencial a mentalidade e as soft skills que cada pessoa traz: curiosidade, vontade de aprender, trabalho colaborativo, autonomia e orientação para resolver problemas reais. Procuramos profissionais que queiram crescer connosco e que tenham paixão por construir soluções com impacto global.

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