Categoria: Entrevistas

Como a PrimeIT decidiu mudar a forma como acompanha os seus consultores

A consultora PrimeIT redesenhou o acompanhamento dos consultores de TI. Entrevista com a CEO Joana Leal sobre o novo modelo.

Trabalhar numa consultora de TI em Portugal é uma experiência que divide opiniões. Para muitos profissionais, é a porta de entrada no mercado. Para outros, é um modelo que funciona bem a longo prazo. Mas há uma questão que raramente se discute internamente: o que acontece quando uma consultora decide repensar os seus processos com base no que ouve das próprias pessoas e da comunidade?

A PrimeIT tem vindo a redesenhar a forma como acompanha os seus consultores, com um novo plano de ação estruturado focado no crescimento e na evolução profissional. Para perceber o que motivou essa mudança e o que ela significa na prática, falámos com Joana Leal, CEO da PrimeIT. A Joana entrou na empresa há mais de 16 anos como Business Manager e acompanhou de perto a evolução dos processos internos.

1. Entrou na PrimeIT há mais de 16 anos como Business Manager e hoje é CEO, liderando milhares de colaboradores. Como descreve a evolução da empresa desde a sua entrada?

Quando entrei na PrimeIT, a nossa equipa tinha menos de 100 consultores. O acompanhamento era próximo, garantido através de feedback contínuo, formações à medida e encontros mensais, mas muito centrado na relação directa entre o Business Manager e o consultor.

À medida que crescemos, percebemos que a proximidade não podia depender apenas de uma função ou de uma pessoa. Tinha de fazer parte da cultura e do modelo organizacional.

Hoje, com mais de 1000 colaboradores em Portugal, o acompanhamento é mais estruturado e transversal. Para além dos Managers, contamos com uma equipa de HR Business Partners que assegura um acompanhamento contínuo, recolhe feedback regular e intervém sempre que necessário. Reforçámos a formação interna com o Prime Academy, mantivemos os nossos momentos de convívio, reforçámos áreas críticas como saúde e bem-estar, incluindo apoio psicológico, e, mais recentemente, vamos criar fóruns exclusivos para o desenvolvimento técnico.

A grande evolução foi esta: transformámos um acompanhamento personalizado, focado no consultor, num modelo estruturado, consistente e plenamente integrado em toda a organização.

2. A dada altura, a PrimeIT decidiu repensar a forma como acompanhava os seus consultores. O que desencadeou essa reflexão?

O crescimento da empresa e a maturidade da própria organização.

Sempre tivemos como objectivo que quem entra na PrimeIT possa construir uma carreira connosco. Mas, à medida que crescemos, percebemos que a proximidade não podia ser apenas uma intenção. Tinha de ser um processo.

A reflexão surgiu da escuta activa: feedback interno, contexto de mercado, mudanças na forma como as pessoas encaram o trabalho. Percebemos que precisávamos de um modelo mais completo, que garantisse as condições necessárias para que cada colaborador conseguisse desenvolver-se na PrimeIT.

3. Na prática, o que um consultor da PrimeIT sente de diferente no seu dia-a-dia com este plano de ação em funcionamento?

Na prática, o consultor sente que não está sozinho no cliente ou no projecto. Sabe que, mesmo estando fisicamente fora do escritório, continua próximo da organização e acompanhado de forma consistente.

Existe uma estrutura clara de acompanhamento, com vários pontos de contacto ao longo do tempo. O Manager, o HR Business Partner e o Team Leader actuam de forma articulada, garantindo momentos regulares de alinhamento, feedback estruturado, checkpoints e avaliações de performance. Isto permite não só acompanhar resultados, mas também discutir ambições, desafios e próximos passos.

Mais do que processos, o que o consultor sente é presença e direcção. Há alguém que conhece o seu contexto, que acompanha a sua evolução e que está disponível para intervir quando necessário, seja para desbloquear uma dificuldade, ajustar objectivos ou potenciar oportunidades.

O principal impacto é o sentido de pertença e de clareza: o consultor sabe quem o acompanha, quando é acompanhado e com que objectivo. E isso traduz-se em maior segurança, foco e confiança no seu percurso dentro da PrimeIT.

4. Muitas consultoras dizem que acompanham os seus profissionais, mas depois o contacto resume-se a uma chamada de três em três meses. O que é que distingue este modelo dessa abordagem mais tradicional?

O que distingue o nosso modelo é precisamente a forma como entendemos “proximidade”: não como um momento pontual, mas como um processo contínuo.

O acompanhamento começa desde o primeiro dia. Na sessão de integração é apresentado um plano de acção estruturado, com pontos de contacto definidos ao longo do tempo. Existe uma cadência clara, regular e intencional, pensada para apoiar o consultor em cada fase do seu percurso.

Além disso, o modelo é colaborativo. O HRBP (Human Resources Business Partner), o Manager e, em determinadas etapas, o Team Leader têm papéis complementares no acompanhamento, garantindo uma visão mais abrangente e alinhada. Isto permite actuar preventivamente, ajustar sempre que necessário e assegurar que o desenvolvimento não acontece por acaso, mas sim com uma direcção.

Em resumo, não se trata apenas de manter contacto. Trata-se de construir uma relação, acompanhar de forma próxima e criar condições reais para o crescimento de cada colaborador.

5. Um jovem programador que entre hoje na PrimeIT, nos primeiros 90 dias, que tipo de acompanhamento vai ter? Consegue descrever um percurso típico?

Os primeiros 90 dias são críticos, por isso contamos com um plano estruturado de integração e acompanhamento, que garante proximidade nesta fase inicial e assegura que o consultor dispõe de todos os recursos necessários: mentoring técnico, formação específica ou reforço de acompanhamento.

No 1º mês, o consultor participa no onboarding, na sessão de integração e no “Let’s Meet”, onde conhece a empresa, os diferentes departamentos, as plataformas necessárias, e é apresentado ao HR Business Partner, que explica a sua função e o modelo de acompanhamento.

No 2º mês, é realizado um status com o HRBP, onde se levantam dúvidas e identificam-se necessidades de acompanhamento ou formação adicional.

No 3º mês, ocorre o checkpoint 90º com o Manager e o HRBP, avaliando o progresso e ajustando o plano de acção sempre que necessário.

Este modelo prossegue com etapas estruturadas e periódicas, garantindo acompanhamento contínuo e evolução sustentada ao longo da carreira na PrimeIT.

6. Há alguma iniciativa ou mudança recente que tenha nascido diretamente de feedback da comunidade ou dos consultores e que já esteja implementada?

Sim. Um exemplo claro é a criação de fóruns técnicos dedicados, espaços onde os consultores podem partilhar conhecimento, colocar dúvidas e trocar experiências entre pares.

Identificámos a necessidade de respostas mais rápidas e de maior partilha técnica dentro da comunidade interna. Os fóruns permitem precisamente isso: reduzir o tempo de resposta, fortalecer a colaboração e reforçar a comunidade técnica interna. Este projecto está neste momento em implementação.

7. Para um profissional de tecnologia que está a avaliar entrar numa consultora, que perguntas é que deveria fazer durante o processo de recrutamento para perceber se o acompanhamento é real ou apenas discurso?

Mais do que perguntas, deve procurar evidências. Com que frequência existe acompanhamento? Quem são os interlocutores? Que exemplos concretos podem partilhar?

E, acima de tudo, falar com pessoas que já estejam ou tenham estado na organização. A transparência é fundamental. Uma empresa segura do seu modelo não terá receio desse contacto. Na PrimeIT, somos totalmente transparentes e incentivamos este tipo de abordagem.

8. Olhando para os últimos dois ou três anos, qual foi a mudança interna que teve mais impacto positivo e que talvez ainda não seja visível para quem está de fora?

A estruturação da equipa de HRBP foi um passo muito relevante, pois profissionalizou ainda mais o acompanhamento dos consultores.

Destacaria também os Centros de Excelência (CoE), uma iniciativa que identifica os melhores profissionais de cada área técnica para colaborar no desenvolvimento de iniciativas e acrescentar valor às nossas soluções. Embora ainda não sejam totalmente visíveis externamente, internamente os CoE já têm um impacto significativo na organização técnica, na partilha de conhecimento e no mentoring especializado.

9. O que é que a PrimeIT ainda quer melhorar neste modelo e que ainda não conseguiu resolver?

Nenhuma organização tem um modelo perfeito e nós também não teremos. O que queremos é evoluir continuamente.

Um dos maiores desafios é encontrar o equilíbrio certo entre crescimento e retenção. A PrimeIT continua a crescer, a entrar em novos projectos e mercados, e isso exige escala. Ao mesmo tempo, queremos garantir que esse crescimento não compromete a proximidade, a personalização e a qualidade do acompanhamento.

Outro ponto crítico é manter as pessoas constantemente motivadas, desafiadas e realizadas ao longo do tempo. As expectativas evoluem, os contextos mudam e as ambições individuais nem sempre seguem o mesmo ritmo da organização. O desafio está em antecipar essas mudanças e criar oportunidades ajustadas a cada fase da carreira.

Estamos a trabalhar continuamente para reforçar este equilíbrio, com mais ferramentas, mais dados e mais capacidade de escuta, para que o modelo não seja apenas sustentável, mas cada vez mais impactante para quem faz parte da PrimeIT.

10. Para fechar, que mensagem deixaria a quem está na comunidade tech e ainda não conhece esta nova versão da PrimeIT?

A mensagem é simples: questionem. Validem. Comparem.

O mercado tech tem muito ruído e é fácil criar perceções com base em informação incompleta ou falsa. A melhor forma de decidir é ir à fonte. Falem directamente com as empresas, peçam exemplos concretos, conversem com quem lá trabalha, procurem perceber como funcionam os modelos na prática, não criem percepções com base nos discursos de quem não mostra a cara ou o nome.

A transparência deve ser o principal critério de escolha para ambos os lados. Quem não tem nada a esconder explica. Mostra. Detalha.

A PrimeIT é exatamente isso: um modelo estruturado, próximo e claro. E estamos totalmente disponíveis para esclarecer dúvidas, mostrar como trabalhamos e, acima de tudo, para sermos avaliados pelos factos.

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